Chuva fica 70% abaixo da média em SP e acende alerta sobre reservatórios
Estiagem histórica coloca abastecimento de água em alerta em São Paulo
Juliana Tourinho
Uma das piores estiagens dos últimos dez anos acendeu o alerta em São Paulo e colocou à prova o sistema de abastecimento de água. Para evitar a escassez, o estado passou a operar um modelo de gestão integrada, que reduz a dependência de um único manancial e amplia a flexibilidade no fornecimento à população.
Atualmente, São Paulo conta com sete sistemas produtores de água. Entre os principais estão o Sistema Cantareira e o Sistema Alto Tietê, que hoje operam de forma interligada.
Essa integração permite transferir água entre sistemas quando um deles atinge níveis mais críticos, garantindo o abastecimento de diferentes regiões.
Qual é a situação dos reservatórios hoje?
Os níveis dos mananciais são classificados em sete faixas. No momento, o sistema opera no nível três, considerado baixo.
Em 2025, as chuvas ficaram entre 40% e 70% abaixo da média histórica, reduzindo significativamente as vazões dos principais reservatórios.
Um dos principais exemplos dessa estratégia é a transposição Jaguari–Atibainha, que permite levar água da represa do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira — e também fazer o caminho inverso, quando necessário.
A obra não cria água, mas redistribui melhor o recurso, conectando diferentes bacias hidrográficas, o que é essencial em períodos de seca.
Como é feito o monitoramento?
A água captada percorre cerca de 19 quilômetros, entre túneis e tubulações, até chegar ao Sistema Cantareira.
Todo o processo é acompanhado em tempo real pela SP-Águas, agência do Governo do Estado responsável pelo monitoramento e planejamento dos recursos hídricos. Segundo a direção da agência, esse acompanhamento permite antecipar cenários críticos e planejar ações de médio e longo prazo.
Com investimentos em modernização de redes e equipamentos, o índice de perdas caiu de 36%, no início dos anos 2010, para 29,4% atualmente.
O resultado é melhor do que a média nacional, que chega a 37,8%, segundo o Instituto Trata Brasil.
Desde agosto de 2025, São Paulo adotou a gestão de demanda noturna, que reduz de forma controlada a pressão da rede durante a madrugada, diminuindo vazamentos.
Até janeiro deste ano, a economia foi de 70,3 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo mensal de 12,3 milhões de pessoas, de acordo com a SP-Águas.
O risco de falta d’água está descartado?
Especialistas avaliam que o sistema integrado tornou o abastecimento mais resistente do que em crises anteriores, como a de 2014, considerada a maior seca das últimas décadas.
Ainda assim, o alerta permanece. A orientação é manter consumo consciente, com medidas simples como banhos mais curtos, fechar a torneira ao escovar os dentes e evitar lavar calçadas e áreas externas.








