Brasil

Céu laranja chama atenção por beleza mas indica perigos; entenda

Tons diferentes são vistos em diversas partes do país e têm relação com as queimadas

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Yumi Kuwano
07/09/2024, 22:30 • Atualizado em 07/09/2024, 22:30
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Céu da capital de São Paulo | Foto: Victor Martins

Céu da capital de São Paulo | Foto: Victor Martins

O céu alaranjado que pode ser observado em diversas partes do país desde as últimas semanas parece ser um espetáculo de belas paisagens, daquelas dignas de uma pintura, mas o que muita gente não sabe é que isso é resultado da poluição e das queimadas, que dão, além do tom laranja mais escuro ao sol, um aspecto mais opaco e esbranquiçado ao céu, diminuindo a visibilidade, antes mesmo do cair do sol.

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De acordo com especialistas, isso tem relação direta com as queimadas que afetam o país. Somente em agosto, o Brasil registrou 68.635 focos de incêndio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Centro-Oeste é a região com mais focos de queimadas e três estados somam 56,46% de todos os registros: Amazonas, Pará e Mato Grosso.

“Isso tudo potencializa esses impactos. Juntando as queimadas, as emissões urbanas, além da falta de mecanismos para dispersar muito esse poluente, deixa a massa de ar que atua sobre boa parte do Brasil estagnada e mantendo esses poluentes acumulados”, diz o meteorologista Bruno Bainy, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo a coordenadora do curso de Geografia da Universidade de Brasília, Ruth Laranja, na época mais seca, com o aumento do número de queimadas, a coloração alaranjada mostra a intensificação da fumaça e das partículas em suspensão na atmosfera.

“Nas queimadas são emitidos vários poluentes, como CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano), NOx (óxidos de nitrogênio) e esses gases, que se intensificam na seca, mudam a difusão da cor”, afirma.

De acordo com a professora, esses fenômenos que causam essa seca atingem boa parte do país mas não na sua totalidade. Regiões litorâneas, por exemplo, como parte do Nordeste, devido à depressão interplanáltica (depressão localizada entre os planaltos), não favorecem a acumulação de massas de ar úmidas, responsável pela falta de chuvas. “No litoral nordestino há presença de massas de ar do Oceano Atlântico, que provoca chuva, e é influenciado pela massa de ar Massa de Ar Tropical Atlântica (mTa)”, observa.

Como isso ocorre?

De acordo com Bruno Bainy, essa coloração vem da interação da luz solar — que é uma mistura de cores — com o material particulado em suspensão na atmosfera, especialmente aquele mais fininho.

Essa interação é chamada de espalhamento e há dois tipos principais: o espalhamento de Rayleigh, que ocorre principalmente quando há partículas muito pequenas, o que causa a tonalidade azul do céu, e no pôr do sol extingue parte dos tons mais frios, então predomina os mais quentes.

“Já o espalhamento Mie, que não depende do tamanho da partícula e do comprimento de onda da luz, mas ocasiona esse efeito opaco, mais esbranquiçado da atmosfera, especialmente no pôr do sol, porque é quando a angulação do raio percorre uma trajetória maior e sofre mais interferência”, explica o meteorologista.

É isso que tem acontecido com a quantidade de poluentes e fuligem vindos das queimadas da Amazônia, Pantanal e mais recentemente da região Sudeste que, segundo Ruth, são transportadas pelas correntes de ar, principalmente as de ar quente.

Cuidados

A poluição, que por si só já traz um impacto significativo para a qualidade de vida da população, mas agora também é agravada pela onda de calor que atinge boa parte do país e deixa as temperaturas extremamente altas, algumas acima dos 40ºC, além da baixa umidade relativa do ar.

Além dos problemas respiratórios que ela pode causar, segundo o meteorologista, existem muitos estudos que relacionam a poluição atmosférica à maior taxa de mortalidade e problemas cardíacos. “Com esses três fatores combinados [baixa umidade, altas temperaturas e poluição], um acaba potencializando o outro”, comenta.

Por isso, a indicação é se prevenir para, pelo menos, minimizar os efeitos na saúde. “Ambientes mais climatizados, uso de umidificadores, hidratação constante, uso de soluções fisiológicas, como soro no nariz e olhos, e em alguns casos, quando a gente tem queimadas próximas, o ideal é manter a casa fechada para evitar esse excesso de fumaça”, recomenda Bainy.

Pessoas com comorbidades cardíacas e respiratórias precisam ter atenção especial à saúde neste momento, além das crianças e idosos que são mais vulneráveis.

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