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Caso Isabelle: perícia apura possível instigação à morte

Polícia avalia possibilidade de induzimento ao suicídio, com eventual participação do namorado da jovem, João Munhoz Neto, que está preso

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Isabelle Caractisti, à esquerda, e o namorado, João Munhoz Neto, à direita | Foto: Reprodução/Se liga, Brasil - 21.09.2026

Isabelle Caractisti, à esquerda, e o namorado, João Munhoz Neto, à direita | Foto: Reprodução/Se liga, Brasil - 21.09.2026

A perícia técnica sobre a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, aponta para suicídio, segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (23), durante coletiva de imprensa. O delegado destacou, no entanto, que nenhuma linha de investigação é descartada.

Apesar da conclusão pericial, a Polícia Civil apura a possibilidade de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, com eventual participação do namorado da jovem, João Munhoz Neto. Ele teve a prisão preventiva mantida nesta quarta, após audiência de custódia.

“Nada é descartado. Se teve auxílio, o que levou até aquele momento, se mais alguém estava naquele ambiente, o horário em que o namorado esteve, saiu e retornou ao apartamento. No caso como esse, sendo investigado pela perspectiva de gênero, não descartamos nada. O que temos nos autos é que ele tinha um relacionamento controlador, que constrangia, limitava e isolava Isabelle. Tudo isso está sendo investigado”, afirmou Gutiérrez.
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Segundo informações apresentadas pela polícia, mensagens encontradas no celular de Isabelle indicariam uma relação marcada por vigilância e controle. A jovem teria relatado sentir-se ameaçada, manipulada, pressionada e presa.

"Os depoimentos apontam relacionamento abusivo, violência psicológica. Inclusive, isso foi levado em consideração no momento da prisão. As informações prestadas por testemunhas e obtidas também através da investigação da Polícia Civil apontam que o João mantinha ali uma relação de controle, de limitação de ir e vir", detalhou.

Uma testemunha também relatou à polícia que, horas antes da morte, Isabelle enviou um áudio de 16 minutos no qual dizia ter discutido com João e estar sendo ameaçada. Segundo o depoimento de um familiar, a jovem disse a ele que "não acreditasse em João caso algo acontecesse com ela".

A defesa de João contesta as suspeitas e sustenta que ele não estava no apartamento no momento da morte. A advogada Lígia Peixe também defende a hipótese de suicídio.

O advogado Rodrigo Colares explica que o crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio é tipificado no Código Penal com pena de até 6 anos de prisão.

Quase 700 vídeos analisados

A Polícia Civil informou que quase 700 vídeos das câmeras de segurança do condomínio onde Isabelle morava foram analisados e não apresentaram sinais de adulteração. “Nós recebemos todos os vídeos do condomínio e atestamos quase 700 vídeos quanto à possibilidade de adulteração. Não foi detectada nenhuma alteração”, afirmou.

A investigação contou com a participação de quase 20 peritos, incluindo profissionais auxiliares. Os materiais foram encaminhados para laboratórios diferentes e analisados de forma independente, segundo Gutiérrez.

A perícia complementar também incluiu o uso de drone e cálculos técnicos relacionados à distância e à velocidade, considerando fatores como o peso do corpo. “Fizemos um drone, calculamos a distância para ver a velocidade, considerando o peso do corpo, para que sejam consignados nos laudos os cálculos técnicos que fortalecem essa teoria que nós estamos apresentando”, explicou o delegado.

Segundo a perícia, não foram encontrados indícios de violência ou de arremesso dentro do apartamento.

Polícia investiga morte de estudante de 22 anos em Fortaleza. | Reprodução/Redes sociais
Polícia investiga morte de estudante de 22 anos em Fortaleza. | Reprodução/Redes sociais

Morte de Isabelle Caracristi

Isabelle Caracristi foi encontrada morta em 13 de setembro, no pátio do condomínio La Piazza, no bairro Aldeota, em Fortaleza.

João Munhoz Neto foi preso preventivamente na terça-feira (22). Ele é investigado por ameaça e pela possível participação em crime relacionado à indução, instigação ou auxílio ao suicídio.

A defesa classificou a prisão preventiva como uma “resposta midiática” e afirmou que João não estava no apartamento no momento da morte.

O caso ganhou repercussão após a mãe de Isabelle, a professora universitária Isorlanda Caracristi, publicar um vídeo nas redes sociais cobrando esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte da filha.

O laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte. A Polícia Civil afirma que a investigação continua para esclarecer a dinâmica dos fatos e verificar se houve participação de terceiros.

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