Calor e baixo nível dos reservatórios acendem alerta para crise hídrica e prejudicam empresários em SP
Sistema que abastece a Grande São Paulo opera com apenas 26% da capacidade e redução de pressão afeta indústrias e comércios

Alvaro Nocera
A combinação de altas temperaturas e aumento no consumo de água já preocupa as autoridades e traz prejuízos para empresários em São Paulo.
O Sistema Integrado Metropolitano, formado pelos sete mananciais que abastecem a Região Metropolitana da capital, opera com média de apenas 26% da capacidade.
O Sistema Cantareira, principal reservatório, funciona com menos da metade do volume registrado em janeiro do ano passado, o que acende o alerta para uma possível crise hídrica.
Diante do cenário, a Companhia de Saneamento de São Paulo (Sabesp) adotou protocolos de redução da pressão da água durante a noite. A manobra, no entanto, tem prejudicado indústrias e comércios.
Os impactos das medidas de contingenciamento já estão sendo sentidos pelos empresários. Em Osasco, na Grande São Paulo, uma fábrica de gelo interrompe a produção durante a madrugada devido à falta de água. O resultado é menos produto disponível no mercado.
“Não consigo produzir, tenho que chamar um caminhão-pipa, o que aumenta meu gasto, e o produto acaba ficando mais caro. Prejuízo de 90 mil reais. Eu perco um turno inteiro, era para tudo estar funcionando 24 horas”, afirma a empresária Lívia Gabrielli Santos.
Reação em cadeia
A reação é em cadeia. Isabela Messias, dona de uma adega também em Osasco, compra sacos de gelo e gelo saborizado da fábrica de Lívia para revenda. Com a redução no fornecimento, ela vem perdendo receita em pleno verão.
“Tive que aumentar o preço e deixei de vender nas plataformas digitais, principalmente nas festas de fim de ano. Uma queda entre trinta e quarenta por cento”, conta.
Em uma fábrica de sorvetes, a falta de água impacta diretamente a limpeza diária do maquinário, o que reduz a produção. Edvaldo Francisco, sócio do estabelecimento, também não consegue escapar do prejuízo. "A gente tenta manter o preço, mas não está fácil. Verão ainda, estação que a gente mais deveria vender”, relata.
No litoral paulista, consumidores reclamam da dificuldade para encontrar gelo e, quando o produto está disponível, o preço é mais alto. Para se refrescar, em muitos casos, não há alternativa além do mar.








