Ativistas detidos à caminho de Gaza chegam no Brasil
Grupo que participava de missão humanitária relatou violência cometida nos centros de detenção


Israel intercepta flotilha rumo a Gaza | gazafreedomflotilla/Instagram
Os ativistas brasileiros que foram detidos por forças israelenses em flotilhas à caminho da Faixa de Gaza chegaram ao Brasil. O grupo desembarcou no Terminal Internacional 3 do Aeroporto de Guarulhos (GRU), em São Paulo, na tarde de domingo (24).
Os voluntários faziam parte de um comboio com dezenas de embarcações de diversos portos do Mar Mediterrâneo. O objetivo da missão era levar suprimentos médicos e civis à população de Gaza, que enfrenta uma grave crise humanitária devido à guerra entre Israel e o grupo Hamas, encerrada no ano passado.
Os navios foram interceptados em águas internacionais, fora do domínio de Israel. Na última semana, o Itamaraty publicou mensagem conjunta com os governos de Bangladesh, Colômbia, Espanha, Indonésia, Jordânia, Líbia, Maldivas, Paquistão e Turquia, classificando como "catastrófico" o sofrimento de que padecem os palestinos e de "arbitrária" a detenção dos ativistas.
“Os Ministros recordam, com profunda preocupação, as intervenções israelenses contra flotilhas anteriores em águas internacionais e condenam a continuidade de atos hostis contra embarcações civis e ativistas humanitários. Tais agressões, incluindo ataques contra embarcações e a detenção arbitrária de ativistas, constituem violações flagrantes do direito internacional e do direito internacional humanitário”, dizia o texto.
Ao chegar no Brasil, Cássio Pelegrini, médico pediatra, comentou sobre o vídeo de ativistas ajoelhados e com as mãos amarradas divulgado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, dizendo que aquilo foi “um pouco” do que passaram. “A gente tem pessoas com pneumotórax, com fratura de nariz, que perderam os dentes. Eu passei por três sessões de espancamento”, disse.
O vídeo em questão gerou repercussão dentro do próprio governo israelense. Em nota, o gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que o país tem o direito de impedir “que flotilhas provocativas de apoiadores terroristas do Hamas entrem em águas territoriais e cheguem a Gaza”, mas que “a forma como Gvir lidou com os ativistas da flotilha não está alinhada com os valores e normas de Israel”.















