Bets em escolas: 20,4% dos alunos já apostaram, diz pesquisa
Levantamento aponta o crescimento no número de alunos que já apostaram ao longo do ensino básico, indo de 20,3% aos 14 anos para 32,3% aos 17
A
Artur Maldaner
Apostas esportivas entraram na mira do governo | Reprodução
Contornando restrições de idade, 20,4% dos alunos do ensino básico afirmam já ter apostado online. Além disso, 9,5% dos estudantes de até 11 anos de idade ouvidos já usaram as “bets”, mostra levantamento da Frente Parlamentar Mista da Educação (FPME) divulgado nesta quarta-feira (9).
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.
A pesquisa, realizada em parceria com o Equidade.info, também evidencia o crescimento no número de apostadores ao longo da trajetória escolar, principalmente entre os jovens do sexo masculino.
Aos 14 anos, 20,3% dos estudantes entrevistados já apostaram. Aos 17, o número cresce para 32,3%. E a partir dos 18 anos, cerca de 40,1% já acessaram as bets.
Os dados também mostram que 27,8% dos meninos afirmam já ter realizado apostas online, contra 12,6% das meninas. A diferença é de 15,2 pontos percentuais.
Esse aumento gradual com a idade é mais acentuado no público masculino. Entre os jovens de 14 a 17 anos, a proporção daqueles que já apostaram é de 24% e 46,5%, respectivamente. Já os de 18 ou mais possuem 53,2%.
Entre as alunas do sexo feminino, a parcela vai de 16,6%, aos 14 anos de idade, para 17,4% aos 17. O número atinge seu auge entre as jovens de 18 anos ou mais, das quais 24,6% já apostaram.
Para o professor de educação da universidade de Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa, Guilherme Lichand, é essencial entender o comportamento desse público nas apostas online.
“Os números geram incômodo e muitas outras perguntas. Essas apostas estão concentradas em eventos esportivos, sobretudo futebol? Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade, problema comum tanto aos sites de apostas esportivas quanto às redes sociais?”, questiona.
A parceria entre a FPME e a Equidade.info tem o objetivo de produzir dados para embasar políticas públicas. Esse levantamento, portanto, sugere a adoção de medidas sistêmicas de proteção, como maior tributação sobre transações nas plataformas, restrições à publicidade e medidas de proteção especialmente voltadas a menores de 18 anos.
Segundo Lichand, ferramentas de autorregulação das plataformas, como lembretes sobre perdas passadas ou limites auto impostos sobre valores apostados, são insuficientes para combater o problema em nível nacional.
“Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, argumenta o pesquisador.
Em resposta à pesquisa, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) destacou que o acesso de menores de idade às bets legalizadas, ou seja, aquelas autorizadas pelo Ministério da Fazenda, é estritamente bloqueado. "Os casos aos quais a pesquisa se refere são de adolescentes que, infelizmente, tiveram acesso a um dos milhares de sites clandestinos que não possuem dispositivo que impeça o login de pessoas com menos de 18 anos", disse a associação em nota.
Bets em escolas: 20,4% dos alunos já apostaram, diz pesquisaLevantamento aponta o crescimento no número de alunos que já apostaram ao longo do ensino básico, indo de 20,3% aos 14 anos para 32,3% aos 17Brasil2026-09-09T22:07:03.117ZContornando restrições de idade, 20,4% dos alunos do ensino básico afirmam já ter apostado online. Além disso, 9,5% dos estudantes de até 11 anos de idade ouvidos já usaram as “bets”, mostra levantamento da Frente Parlamentar Mista da Educação (FPME) divulgado nesta quarta-feira (9). 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. A pesquisa, realizada em parceria com o Equidade.info, também evidencia o crescimento no número de apostadores ao longo da trajetória escolar, principalmente entre os jovens do sexo masculino. Aos 14 anos, 20,3% dos estudantes entrevistados já apostaram. Aos 17, o número cresce para 32,3%. E a partir dos 18 anos, cerca de 40,1% já acessaram as bets. Os dados também mostram que 27,8% dos meninos afirmam já ter realizado apostas online, contra 12,6% das meninas. A diferença é de 15,2 pontos percentuais. Esse aumento gradual com a idade é mais acentuado no público masculino. Entre os jovens de 14 a 17 anos, a proporção daqueles que já apostaram é de 24% e 46,5%, respectivamente. Já os de 18 ou mais possuem 53,2%. Entre as alunas do sexo feminino, a parcela vai de 16,6%, aos 14 anos de idade, para 17,4% aos 17. O número atinge seu auge entre as jovens de 18 anos ou mais, das quais 24,6% já apostaram. Para o professor de educação da universidade de Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa, Guilherme Lichand, é essencial entender o comportamento desse público nas apostas online. “Os números geram incômodo e muitas outras perguntas. Essas apostas estão concentradas em eventos esportivos, sobretudo futebol? Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade, problema comum tanto aos sites de apostas esportivas quanto às redes sociais?”, questiona. A parceria entre a FPME e a Equidade.info tem o objetivo de produzir dados para embasar políticas públicas. Esse levantamento, portanto, sugere a adoção de medidas sistêmicas de proteção, como maior tributação sobre transações nas plataformas, restrições à publicidade e medidas de proteção especialmente voltadas a menores de 18 anos. Segundo Lichand, ferramentas de autorregulação das plataformas, como lembretes sobre perdas passadas ou limites auto impostos sobre valores apostados, são insuficientes para combater o problema em nível nacional. “Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, argumenta o pesquisador. Em resposta à pesquisa, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) destacou que o acesso de menores de idade às bets legalizadas, ou seja, aquelas autorizadas pelo Ministério da Fazenda, é estritamente bloqueado. "Os casos aos quais a pesquisa se refere são de adolescentes que, infelizmente, tiveram acesso a um dos milhares de sites clandestinos que não possuem dispositivo que impeça o login de pessoas com menos de 18 anos", disse a associação em nota.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/bets-em-escolas-20-4-dos-alunos-ja-apostaram-diz-pesquisa-1