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Antes de ser preso, Mauro Cid negou ter vazado áudio de 'desabafo' sobre delação

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi ouvido no STF sobre gravação que veio à tona nessa semana, em que Cid diz que investigadores tinham narrativa pronta sobre os fatos

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Ricardo Brandt
23/03/2024, 01:51 • Atualizado em 23/03/2024, 01:51
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Antes de ser preso, Mauro Cid negou ter vazado áudio de 'desabafo' sobre delação

Mauro Barbosa Cid negou que tenha vazado gravação em que ataca a Polícia Federal (PF) e critica as investigações contra ele e a trama golpista de Jair Bolsonaro (PL), em depoimento nesta sexta-feira (22) no Supremo Tribunal Federal (STF), minutos antes de ser preso. O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi detido por tentativa de obstrução à Justiça e quebra das cláusulas de sua liberdade provisória.

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Cid afirmou ao magistrado Airton Vieira, auxiliar do ministro Alexandre de Moraes do STF, que "nunca houve induzimento às respostas" na delação premiada dele, fechada em setembro de 2023 com a PF.

Nos áudios em que Cid ataca a delação e os investigadores, revelado pela revista "Veja" na quinta-feira (21), ele coloca sob suspeição a forma como foi ouvido. Não se sabe quem era o interlocutor de Cid na ocasião.

"Nenhum membro da Polícia Federal o coagiu a falar algo que não teria acontecido", disse Mauro Cid, segundo o termo do depoimento registrado pela PF.

Mauro Cid afirmou não recordar com quem falava, mas desqualificou o conteúdo do áudio revelado pela "Veja". "Foi apenas um desabafo." Segundo ele, a fala era genérica. "Todo mundo acaba dizendo coisas que não eram para serem ditas."

A ordem de prisão de Cid, decretada nesta sexta-feira (22) por Moraes, atendeu pedido da PF. O motivo: "descumprimento de medidas cautelares e por obstrução à Justiça".

O tenente-coronel, que se sentiu mal ao saber que seria preso, no STF, disse que passa por um momento de dificuldade profissional, financeira e pessoal. Afirmou ser tratado como "leproso", que "perdeu tudo" e que "está enclausurado".

Disse ainda não ter mantido contato com os demais investigados - um dos motivos que poderia levar à quebra do acordo. Nem ter sido o autor do "vazamento".

O ministro Alexandre de Moraes registrou em seu despacho a confirmação por Cid do conteúdo da delação.

"Diante da necessidade de afastar qualquer dúvida sobre a legalidade, espontaneidade e voluntariedade da colaboração de Mauro César Barbosa Cid, que confirmou integralmente os termos anteriores de suas declarações, torno pública a ata de audiência realizada para a oitiva do colaborador, no dia 22/3/2024, às 13h, na sala de audiências do Supremo Tribunal Federal, com a presença da Procuradoria Geral da República e seus defensores", despacho do ministro Alexandre de Moraes.

A validade do acordo de delação de Cid com a PF está sob análise, segundo o STF. Mauro Cid passou pelo Instituto Médico Legal (IML), na Superintendência da PF no Distrito Federal, e foi para o Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, no início da noite. Lá ficara detido.

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