Brasil

"Não há como governo evitar greve dos caminhoneiros", avalia economista

Paralisação vem sendo convocada para esta 2ª por entidades que representam 855 mil profissionais

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Guilherme Resck
01/11/2021, 04:30 • Atualizado em 31/10/2023, 00:32
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Greve é apoiada por centrais sindicais e pela Federação Única dos Petroleiros (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Greve é apoiada por centrais sindicais e pela Federação Única dos Petroleiros (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

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Responsáveis por convocar a greve dos caminhoneiros prevista para esta 2ª feira (1º.nov), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e a Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (ABRAVA) garantiram às autoridades, segundo comunicado emitido na última semana, que o ato deixaria de ser realizado se fosse dada atenção maior a três medidas: uma mudança na política de preços da Petrobras em relação aos combustíveis, o retorno da aposentadoria especial com 25 anos de contribuição e o julgamento da constitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da Lei do Piso Mínimo de Frete (nº 13.703/2018). Entretanto, para o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Victor Gomes, não há nada que o Governo Federal pode fazer ou poderia ter feito no curto prazo para evitar a paralisação.

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Em entrevista ao SBT News, ele pontuou que mudar a forma como a Petrobras calcula o preço dos combustíveis, que considera a cotação do dólar e a variação do preço do barril de petróleo no mercado internacional, traria riscos à empresa "por dois motivos". O primeiro deles é que a falta de uma política clara é ruim para os investidores da empresa, e o segundo, que a estatal poderia precisar de aportes do Tesouro Nacional para continuar atuando, o que provocaria mais volatilidade na economia e, consequentemente, desvalorização do real. "Termina sendo ruim para a política monetária, você tem que ter mais Selic, é uma confusão generalizada", conclui.

Além disso, diz o professor, subsidiar o preço do diesel para deixar o combustível mais barato, como o governo de Michel Temer fez em 2018, diante da greve dos caminhoneiros que durou dez dias no mês de maio, traria três consequências negativas: "Uma é que você joga a conta para o Tesouro Nacional e aí você joga um peso para quem paga impostos. Outro problema é que você mina a credibilidade da Petrobras, isso afeta ações da Petrobras e o Tesouro Nacional pode ter que fazer algum aporte futuro. E o terceiro ponto é que você está trazendo volatilidade para a nossa economia, que já está sofrendo bastante. Isso tem impacto negativo sobre o que? Taxa de câmbio, que termina onerando o combustível lá na frente".

Segundo Victor, o preço do barril do petróleo no mercado internacional, em torno de US$ 85,00 (R$ 479,26), não é "absurdo", mas o real está muito desvalorizado, sendo esse o principal motivo de os valores dos combustíveis estarem elevados. "Você pressiona demais combustível, por um lado, que a gente tem que pagar essa conta, por outro lado tem gente ganhando muito dinheiro com isso. Quem exporta soja, por exemplo, está lá ganhando muito dinheiro, está muito feliz".

Para valorizar a moeda, acrescenta o professor, a medida mais fundamental é a elevação da taxa básica de juros, a Selic. "O Banco Central precisa agir, precisa fazer o papel dele", afirmou. Ainda segundo Victor, o Governo Federal, por sua vez, poderia contribuir para um desempenho positivo da moeda respeitando o teto de gastos e evitando embates políticos, o que tornaria o país mais atrativo para investidores internacionais e, portanto, faria o dólar cair.

Com o objetivo de desestimular a greve -- que conta com o apoio de dez centrais sindicais e da Federação Única dos Petroleiros (FUP) --, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a anunciar um auxílio-diesel de R$ 400,00 para os caminhoneiros, mas profissionais autônomos da categoria consideraram a quantia como "migalha e esmola". Já o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado nas vendas de combustíveis por 90 dias. Porém, as entidades convocadoras da paralisação dizem ser insuficiente. Juntas, a CNTTL, a CNTRC e a ABRAVA representam 855 mil caminhoneiros.

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