Polícia prende suspeito de matar chefes de facção criminosa
Homem era foragido da Justiça do Ceará e usava nome falso

SBT News
A Polícia Civil de São Paulo prendeu Tiago Lourenço de Sá de Lima, conhecido como Tiririca. Homem influente da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC, ele foi peça chave no assassinato de Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e de Fabiano Alves de Sousa, o Paca, ex-chefes da facção, em fevereiro de 2018. Gegê e Paca foram vítimas de uma emboscada na reserva indígena de Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza, no Ceará.
Tiago acabou detido na noite de 4ª feira (18.ago), em um carro importado, perto da Ponte Eusébio Matoso, na zona sul da capital paulista. Foi uma surpresa até para os policiais, que o investigavam por suspeita de coordenar o tráfico de drogas na região da Cracolândia, no centro. "Nós sabíamos que era um traficante, que era ligado a facção criminosa, mas não sabíamos que se tratava desse Tiago", disse o delegado seccional centro, Roberto Monteiro.
Tiago, que era foragido da Justiça do Ceará, usava o nome falso de Joaquim Pereira da Silva. Ele ainda tentou fugir e chegou a jogar o carro contra uma moto e um veículo descaracterizado usado por investigadores do 77º Distrito Policial. Os policiais atiraram nos pneus e no vidro traseiro do veículo. Um dos disparos atingiu a cabeça do suspeito, de raspão.

No hospital, ele insistiu na mentira, dizendo que se assustou com a abordagem e que, só por isso, fugiu. Na checagem das digitais, o disfarce caiu. Desmascarado, Tiago deu o endereço de uma chácara em Piedade, no interior do estado, que era mantida por ele. Lá, os investigadores encontraram uma escopeta calibre 12 e munição. "Ele será indiciado pelo uso do documento falso e pela posso ilegal do armamento", acrescentou o delegado.


Com receio de uma tentativa de resgate, a segurança precisou ser reforçada na delegacia, que fica no centro de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, Tiago coordenava o aluguel das barracas que vendem drogas, na Cracolândia. Negócio lucrativo mantido pela facção. "De quatro a seis meses que ele estava frequentando o centro de São Paulo e com uma interação com a Cracolândia", explicou o agente Monteiro. "Eles alugavam as tendas para que traficantes pagassem até R$ 1 mil por dia para a venda de drogas".
Emboscada
Tiago foi denunciado pela Justiça do Ceará por ter atraído Gegê do Mangue para a morte. Os dois eram parceiros de crime de longa data. Nem Gegê, nem Paca desconfiariam da emboscada. Os dois foram levados de helicóptero para o que seria uma reunião dos criminosos. No caminho, o piloto pousou na aldeia indígena, onde Gegê e Paca foram assassinados. Os antigos companheiros atearam fogo nos corpos. A morte foi ordenada porque os dois estariam desviando dinheiro do tráfico de drogas mantido pelo PCC, em praticamente todo o país. Os detalhes do crime foram revelados pelo piloto do helicóptero, que fez uma delação premiada.