Política

Lula diz que minerais críticos impusionam soberania latino-americana: 'Forma de recuperar cidadania'

Em homenagem póstuma a Pepe Mujica, presidente relembrou e reforçou o legado de integração regional defendido pelo ex-líder uruguaio

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O presidente Lula durante a cerimônia de entrega de título de Doutor Honoris Causa (in memoriam) a Pepe Mujica | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que os minerais críticos e as terras raras podem se tornar um instrumento estratégico para fortalecer a soberania da América Latina e recuperar direitos da população da região.

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Ao abordar o tema, o presidente criticou o histórico de exploração de recursos naturais na região por potências globais e defendeu uma nova atitude conjunta entre os países latino-americanos. Segundo ele, a descoberta e a valorização desses recursos coloca a América Latina diante de uma oportunidade de reorganizar sua inserção no cenário global.

“Agora, se descobriu uma coisa nova, os chamados minerais críticos, as chamadas terras raras. Está no nosso solo e quem que tem isso somos nós [...] e agora eles querem nos explorar e fazer a mesma coisa que faziam com minério de ferro e com ouro: levar e deixar aqui os buracos que eles cavam. Dessa vez, nós vamos nos juntar para dizer [que] os minerais críticos e as terras serão uma forma de a gente recuperar a cidadania do povo latino-americano”, afirmou.

Lula deu as declarações durante a cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa, em homenagem póstuma ao ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, na Universidade Federal do ABC (UFABC). O presidente foi padrinho da homenagem.

No discurso, Lula também ressaltou a necessidade de integração regional em áreas como economia, ciência e educação, ao relembrar e reforçar uma das principais bandeiras defendidas por Mujica ao longo de sua trajetória política. O ex-líder uruguaio via a união latino-americana como um caminho essencial para ampliar a autonomia dos países diante das grandes potências globais.

“A integração tem que ser política, cultural, científica e tecnológica. Os nossos jovens têm que transitar pelos nossos países. O nosso diploma deve valer nos nossos países. As nossas moedas devem valer nas nossas negociações. Por que depender do dólar?”, disse.

Ao lembrar experiências anteriores, o presidente avaliou que houve avanços importantes na articulação regional no início dos anos 2000, mas que faltaram mecanismos institucionais capazes de sustentar essas iniciativas ao longo do tempo.

“Nós não conseguimos fazer com que as coisas permanecessem além dos presidentes da República”, afirmou, ao citar o enfraquecimento de organismos como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

“Uma Celac que está praticamente, sabe, deixando de existir, porque o crescimento da extrema-direita está afugentando esses países de participar, porque nós não construímos mecanismos de manutenção", continuou o presidente.

Lula também criticou a expectativa de que potências estrangeiras possam solucionar problemas da região.

“As políticas públicas têm que ser consolidadas para que elas sobrevivam à passagem dos presidentes da República, porque, senão, a América do Sul não tem chance. [...] Agora mesmo estamos vendo a quantidade de países que acham que o Trump vai resolver o problema da América do Sul. [...] Quem vai resolver o problema da América Latina e da América do Sul somos nós, quando a gente adquirir consciência da importância [da região]”, afirmou.

Homenagem a Pepe Mujica

A cerimônia marcou a concessão do título de Doutor Honoris Causa a Mujica, aprovado pelo Conselho Universitário da UFABC em 2024, antes da morte do ex-presidente uruguaio em maio de 2025. A honraria, considerada a mais alta distinção acadêmica, reconhece sua trajetória em defesa da democracia, da justiça social e da integração regional.

Durante a homenagem, Lula leu uma última carta enviada por Mujica após sua vitória nas eleições de 2022 e se emocionou. O presidente também ressaltou a influência do ex-líder uruguaio em sua trajetória política e pessoal.

“O ser humano não morre. O corpo se vai, mas as ideias permanecem. [...] O Pepe Mujica não morreu porque as ideias que o Pepe Mujica transmitiu ao longo do tempo que eu o conheci devem permanecer não apenas para o conhecimento da juventude do Uruguai, mas para a juventude do mundo inteiro”, disse.

A cerimônia contou com a presença de Lucía Topolansky, ex-vice-presidente do Uruguai e esposa de Mujica, que recebeu o título em nome do ex-presidente.

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