VÍDEO: veja momento em que tenente-coronel acusado de matar esposa é preso no interior de SP
Geraldo Leite Rosa Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual; soldado Gisele foi encontrada morta, com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro

Emanuelle Menezes
Fátima Souza
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto foi preso nesta quarta-feira (18) pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal vivia, no centro de São Paulo, há um mês. Um vídeo obtido pelo SBT News mostra o momento em que o oficial é levado de um prédio em São José dos Campos, no interior do estado (veja vídeo acima).
Um comboio com agentes da Corregedoria da PM, com apoio da Polícia Civil, chegou por volta das 8h ao apartamento que o tenente-coronel tem em São José dos Campos. Pouco depois, ele saiu escoltado do local.
Geraldo foi conduzido à sede da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo, região central da capital paulista, e depois deve passar por exames de corpo de delito. Na sequência, ele será levado para o Presídio Militar Romão Gomes.

Polícia Civil e Corregedoria pediram a prisão preventiva de Geraldo na terça-feira (17) por feminicídio e fraude processual. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), o mandado de prisão foi concedido pela Justiça Militar estadual na noite de terça. O pedido da Polícia Civil ainda aguarda apreciação do Ministério Público e do Tribunal de Justiça de São Paulo.
O advogado Eugênio Malavasi, que faz a defesa do tenente-coronel, afirmou ao SBT News que acredita que a Justiça Militar não é competente para o decreto preventivo de prisão. "Se houve a imputação de feminicídio e fraude processual, foi no âmbito privado, não em decorrência da atividade de policial militar", disse.
Investigação apontou feminicídio
Para os investigadores, o tenente-coronel matou a mulher e alterou a cena do crime. Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro. O tenente-coronel disse que a soldado se matou, enquanto ele estava no banho, depois de uma conversa sobre um possível divórcio. A bala que atingiu a policial saiu da arma do tenente-coronel, conforme as investigações.
A primeira farsa descoberta pelos peritos é desmontada pela posição do corpo de Gisele, quando os bombeiros chegaram. Ela estava caída no chão da sala, entre o móvel da TV e um sofá. A posição das pernas e dos pés, um deles embaixo do móvel, o local da poça de sangue, e a posição da arma, encaixada na mão de Gisele, para os peritos, são sinais evidentes de que a cena não era de um suicídio.
Os peritos derrubaram ainda uma outra mentira contada pelo tenente-coronel. Os legistas constataram que Gisele teve relação sexual antes de ser morta. Para justificar o fim do casamento, o oficial da PM disse em depoimento que os dois já não tinham mais um relacionamento e que dormiam em camas separadas havia 6 meses.

A versão sobre o momento da morte também foi atacada. Um primeiro laudo do Instituto Médico Legal (IML) já havia encontrado no pescoço e no rosto de Gisele marcas "de lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação", ou seja, ela teria sofrido uma espécie de esganadura. Agora, os peritos concluíram que ela foi imobilizada pelo pescoço, e que estava desmaiada no momento do disparo. Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro e em outros cômodos do apartamento.
O comportamento do oficial da PM também chamou a atenção dos investigadores. Uma vizinha disse que ouviu o disparo às 7h30 da manhã, mas o tenente-coronel só fez a primeira ligação para pedir socorro meia hora mais tarde.








