Entenda como funcionava esquema de facção para adulterar combustíveis
Substância química altamente perigosa à saúde era desviada de portos e vendida em postos irregulares, aumentando em até 72% o lucro do esquema
Fabio Diamante
Robinson Cerantula
SBT Brasil
Uma megaoperação da Polícia Federal e do Ministério Público na quinta-feira (28) revelou um esquema bilionário de adulteração de combustíveis ligado ao Primeiro Comando da Capital.
De acordo com a investigação, o grupo criminoso utilizava empresas de fachada, indústrias químicas e terminais portuários para importar metanol, uma substância química altamente tóxica que, quando misturada à gasolina, aumenta a lucratividade, mas representa risco grave à saúde e à segurança. O produto era desviado antes de chegar aos destinatários legais e abastecia postos de combustíveis ligados à quadrilha.
As apurações mostram que transportadoras contratadas faziam o deslocamento da carga até São Paulo, mas no trajeto os caminhões eram desviados para postos controlados pela organização. Para driblar a fiscalização, motoristas alteravam placas e eliminavam notas fiscais sob orientação recebida por mensagens de celular. Em alguns casos, veículos ficaram dias parados em estacionamentos até receberem a ordem de entrega direta aos postos clandestinos.
Nos postos controlados pelo esquema, a gasolina vendida continha até 50% de metanol, quando a lei permite apenas 0,5%. Essa adulteração gerava lucro 72% maior que o de revendedores regulares.
Os principais suspeitos de comandar a operação, Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco”, continuam foragidos.