Cidades

Delegada da PF é afastada por suspeita de ajudar ilegalmente grupo de Vorcaro

Um agente da PF ainda foi preso nesta quinta (14), na sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do Banco Master

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Anita Prado, Emanuelle Menezes, Leandro Magalhães
14/05/2026, 10:57 • Atualizado em 14/05/2026, 16:09
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Uma delegada da Policia Federal foi alvo de busca e apreensão e afastada do cargo nesta quinta-feira (14) por suspeita de ajudar ilegalmente o grupo "A Turma", usado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para ameaçar adversários.

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Além dela, um agente da ativa da PF foi preso. A ação deflagrada é a sexta fase da Operação Compliance Zero, que também prendeu o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro.

A delegada, identificada como Valéria Vieira Pereira da Silva, é lotada em Minas Gerais. Segundo as investigações, ela é casada com um agente aposentado da PF, que demandava a ela uma série de consultas, que foram feitas ilegalmente, de acordo com o que foi apurado pela polícia. Francisco José Pereira da Silva também foi alvo de buscas na operação desta quinta.

"A investigada VALÉRIA VIEIRA PEREIRA DA SILVA é Delegada da Polícia Federal, e seu marido, FRANCISCO JOSÉ PEREIRA DA SILVA, agente aposentado da PF. Ambos são apontados como responsáveis, em tese, pelo repasse de informações sigilosas a MARILSON ROSENO DA SILVA, mediante consultas indevidas ao sistema e-Pol. Segundo a Polícia Federal, ambos possuíam acesso, contatos e conhecimento técnico que poderiam favorecer a continuidade das práticas investigadas", diz trecho da decisão.

"A Turma"

Alvo da terceira fase da Compliance Zero, o grupo "A Turma" reunia Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário". Sicário morreu dois dias após ser preso, após atentar contra a própria vida na cela da PF.

O objetivo do grupo, segundo a PF, era obter informações sigilosas e intimidar "críticos do conglomerado financeiro". Nas conversas, eram discutidas ações contra indivíduos considerados opositores, entre eles jornalistas, ex-funcionários e outras pessoas vistas como adversárias de Vorcaro.

Marilson, de acordo com as investigações, era o responsável por obter clandestinamente informações sensíveis e auxiliar no monitoramento de adversários.

Entre os alvos da "Turma" estava o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Daniel Vorcaro teria determinado "dar um pau" e "quebrar os dentes" do profissional.

De acordo com a apuração, os diálogos incluíam tratativas sobre ameaças, perseguições, monitoramento e possíveis invasões de dispositivos eletrônicos.

Diretor da PF

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quinta ao SBT News que a Polícia Federal trabalha de maneira técnica e que corta na própria carne quando necessário.

"Como sempre tenho dito, a Polícia Federal trabalha de maneira técnica, imparcial e em busca da melhor instrução das suas investigações. Não protege, nem persegue, age com autonomia, e corta na própria carne quando necessário. Essa operação de hoje não deixa dúvidas e serve, também, para valorizar a quase totalidade dos policiais federais, que agem com correção e dedicação, e reafirmar que não há hipótese de transigirmos com desvio de conduta em nossa Instituição. E assim seguiremos, obedientes à Constituição e às leis".

Defesa de Henrique Vorcaro

Leia nota do advogado Eugênio Pacelli:

Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele.

O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer.

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