Justiça

"Os Meninos”: PF diz que grupo ligado a Vorcaro organizava ataques cibernéticos e monitorava pessoas ilegalmente

Decisão do STF que autorizou a sexta fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta (14), detalha atuação de núcleo investigado pela Polícia Federal

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Emanuelle Menezes, Raquel Landim
14/05/2026, 13:14 • Atualizado em 14/05/2026, 17:39
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O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Reprodução/Facebook

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Reprodução/Facebook

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a sexta fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (14), revelou detalhes sobre a atuação do grupo "Os Meninos", apontado pela Polícia Federal como o braço tecnológico de uma organização ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Eles seriam responsáveis por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento ilegal de pessoas.

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Segundo a decisão, o núcleo tinha "perfil eminentemente tecnológico" e executava ações digitais clandestinas para atender interesses do grupo do banqueiro. De acordo com a Polícia Federal, eles eram gerenciado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário". Sicário morreu dois dias após ser preso, após atentar contra a própria vida na cela da PF.

O documento afirma que "Os Meninos" faziam, no ambiente digital, o que outro grupo investigado, chamado "A Turma", fazia presencialmente: "neutralizar, intimidar, constranger ou vigiar alvos de interesse da organização". Ainda segundo a representação, o grupo continuou atuando mesmo após fases anteriores da operação.

A decisão cita ainda uma conversa atribuída a Sicário sobre a divisão de recursos entre os núcleos da organização. Segundo o documento, cada integrante do grupo receberia cerca de R$ 75 mil mensais, enquanto "A Turma" ficaria com R$ 400 mil. O restante permaneceria com Mourão.

"Os núcleos receberiam ao todo, incluído a participação do próprio Felipe Mourão, a quantia aproximada de R$ 1 milhão divididos da seguinte forma, segundo explicação dada pelo próprio Mourão a Daniel Vorcaro: 'Ele manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada'", diz trecho da decisão.

Líder saiu de casa "cantando pneus" em dia de operação

Conforme a decisão do STF, a Polícia Federal identificou David Henrique Alves como líder operacional do núcleo hacker. Os investigadores afirmam que ele coordenava agentes especializados em ataques cibernéticos, monitoramento digital ilícito e invasões telemáticas.

Segundo o documento, David recebia aproximadamente R$ 35 mil mensais por intermédio da empresa BIPE Software Brasil Ltda., apontada pela investigação como possível estrutura usada para operacionalizar pagamentos ligados às atividades do grupo.

Os investigadores relatam ainda que, no dia da terceira fase da Operação Compliance Zero, em março de 2026, David devolveu às pressas o imóvel que alugava em Lagoa Santa (MG) e saiu do local "cantando pneus". Pouco depois, ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) dirigindo um veículo pertencente a Mourão.

Dentro do automóvel, havia computadores, notebooks, caixas e malas. Para a PF, o deslocamento indicaria tentativa de fuga e possível ocultação ou destruição de provas digitais.

Quem é quem no grupo "Os Meninos"

Além de David, que seria líder operacional do núcleo, a PF identificou como integrantes do grupo: Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Katherine Venâncio Telles.

Victor Lima Sedlmaier

Victor Lima Sedlmaier é descrito pela PF como operador auxiliar do grupo e prestador de serviços técnicos a David Henrique Alves. Em depoimento citado na decisão, ele afirmou atuar com desenvolvimento de software, inteligência artificial, design e banco de dados.

Segundo os investigadores, Victor recebia pagamentos mensais de David e teria participado da retirada de móveis e equipamentos da residência do líder do grupo logo após a operação policial.

Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos

Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos aparece na decisão como colaborador técnico e logístico do núcleo "Os Meninos". A investigação aponta que ele auxiliava David Henrique Alves em tarefas operacionais, incluindo pagamento de boletos e aquisição de domínios na internet.

Segundo a Polícia Federal, Rodrigo também participou da movimentação na residência de David após a operação, em contexto interpretado como tentativa de desmobilização do imóvel e retirada de materiais de interesse investigativo.

Katherine Venâncio Telles

Katherine Venâncio Telles é citada pela investigação por acompanhar David Henrique Alves durante o transporte de equipamentos eletrônicos após a deflagração da operação.

Segundo a decisão, ela estava no veículo abordado pela PRF junto com David e teria apresentado informações consideradas incompatíveis com os dados obtidos pela investigação.

"KATHERINE aparenta ter conhecimento das ilicitudes praticadas por DAVID, pois teria tentado ludibriar as autoridades policiais ao sustentar que ambos seguiam para Santos/SP a fim de permanecer com seu irmão, em razão de viagem internacional de seus pais", diz a representação. A PF, no entanto, não localizou nenhum registro de viagem dos familiares da mulher no ano de 2026.

Para a investigação, a conduta dela pode indicar apoio à fuga e tentativa de "cobertura" a David.

Balanço parcial da operação

Até o momento, a operação resultou em:

  • 4 dos 7 mandados de prisão preventiva cumpridos;
  • 17 mandados de busca e apreensão cumpridos;
  • apreensão de aproximadamente R$ 62 mil em espécie, armas de fogo, veículos, celulares e computadores;
  • 1 investigado autuado em flagrante por posse de arma com numeração suprimida.

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