Justiça do RJ condena três homens a 30 anos de prisão por morte de advogado em 2024
Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, foi executado a tiros em fevereiro de 2024, no centro do Rio de Janeiro


Antonio Souza
SBT News
A Justiça do Rio de Janeiro condenou, nesta sexta-feira (6), três homens a 30 anos de prisão, cada um, pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, morto a tiros em 2024 no centro da capital fluminense.
Os condenados são o policial militar Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondêgo de Souza, ex-funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e Eduardo Sobreira Moraes. A decisão foi tomada após dois dias de julgamento no Tribunal do Júri.
O julgamento foi presidido pelo juiz Cariel Bezerra Patriota, que afirmou na sentença que ficou comprovada a participação dos réus em um grupo organizado de sicários responsável por planejar e executar homicídios.
O magistrado destacou que o grupo possuía estrutura organizada, com divisão de tarefas e atuação voltada à obtenção de vantagens econômicas e à expansão de poder.
Segundo a decisão, a organização se valia da influência dentro de estruturas do Estado para formar uma espécie de aparato paralelo, além de dificultar investigações e destruir provas.
Os três réus foram condenados por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, emboscada e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, já que os disparos foram efetuados pelas costas, além do uso de arma de fogo de uso restrito.
Motivo do crime
Segundo a acusação, o crime teria relação com atividades ligadas a jogos de azar. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmou que os três condenados faziam parte de uma organização criminosa ligada ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
Durante o julgamento, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que o assassinato teria sido uma mensagem para impedir novos investimentos no mercado de apostas em áreas dominadas pelo grupo.
Segundo o MPRJ, o advogado estudava abrir um bar de apostas esportivas e máquinas semelhantes a caça-níqueis em Botafogo, bairro onde o bicheiro manteria pontos de jogo do bicho e um bingo clandestino.
Quem era Rodrigo Marinho

O advogado, de 42 anos, era graduado pela Pontífica Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e atuava desde 2012 em escritórios de advocacia. Rodrigo chegou a ser auditor no Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Estado do Rio de Janeiro (TJD/RJ).
Ele se especializou também em processo civil e corporativo. Na ocasião, era sócio do escritório Marinho & Lima Advogados desde 2022.
O que disseram as defesas
As defesas dos três réus contestaram a acusação durante o julgamento.
Os advogados de Cezar Daniel Mondêgo de Souza afirmaram que ele teria sido contratado apenas para monitorar a vítima e que não sabia que ocorreria um assassinato.
Já a defesa de Eduardo Sobreira Moraes alegou que ele teria sido chamado apenas para dirigir o veículo usado por outro acusado e que também desconhecia qualquer plano de homicídio.
No caso de Leandro Machado da Silva, os advogados sustentaram que ele apenas sublocava veículos de uma locadora e que seu nome não aparecia em registros ligados ao monitoramento da vítima.
Relembre o caso
O advogado Rodrigo Marinho Crespo foi morto no dia 26 de fevereiro de 2024, quando chegava ao edifício onde ele trabalhava, na Avenida Marechal Câmara, no centro do Rio de Janeiro. O escritório do advogado estava localizado a poucos metros da OAB-RJ.
Tudo aconteceu por volta das 17h. A vítima estava caminhando com um outro homem a cerca de 50 metros da sede da OAB. As imagens das câmeras de segurança mostraram o momento em que o advogado foi atingido por um homem encapuzado que já estava vigiando Rodrigo.

O atirador saiu de um carro branco que estava na frente do prédio. Foram ao menos dez disparos na região do rosto e do tórax dele.
Testemunhas afirmam que o advogado foi chamado pelo nome antes de receber os tiros. Mesmo após a vítima cair no chão, o criminoso continuou atirando.
Os três suspeitos foram indiciados por homicídio qualificado. Além disso, o policial militar Leandro Machado da Silva foi afastado das funções e teve o porte de arma suspenso. Segundo o inquérito, ele já possuía antecedentes por homicídio e por integrar uma milícia na Baixada Fluminense.
Os réus estavam presos preventivamente desde março de 2024.







