Economia

Guerra no Oriente Médio preocupa exportadores brasileiros e encarece produção no agro

Conflito envolvendo o Irã gera incerteza no comércio internacional e já impacta produtores de soja, carne e tabaco no Brasil

O avanço da guerra no Oriente Médio já começa a provocar reflexos na economia brasileira. Produtores rurais e especialistas alertam que o conflito pode afetar exportações, encarecer insumos e aumentar o custo do transporte no agronegócio.

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Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que o comércio entre Brasil e Irã movimentou cerca de US$ 3 bilhões (mais de R$ 15 bilhões) no último ano. Com o cenário de instabilidade na região, setores importantes da economia brasileira acompanham os desdobramentos com preocupação.

No campo, a principal preocupação é o impacto no preço dos combustíveis e no custo logístico. O agricultor Glenio Guimarães, produtor de soja no Rio Grande do Sul, afirma que qualquer aumento no preço do combustível afeta diretamente a produção. Segundo ele, o transporte da safra até os portos pode ficar mais caro caso o petróleo seja impactado pela guerra.

Outro ponto de alerta está nas importações de fertilizantes. Parte importante desses insumos usados no agronegócio brasileiro vem do Irã. Cerca de 7 milhões de toneladas de fertilizantes são importadas do país, o que significa que eventuais interrupções no comércio podem pressionar os custos de produção no Brasil.

Antes do agravamento do conflito, o mercado de proteína animal vivia um momento positivo. Em janeiro, o Brasil exportou 459 mil toneladas de carne de frango, um recorde para o mês. Já as exportações de carne suína cresceram 9,7% em comparação com o mesmo período de 2025.

Apesar dos números favoráveis, o setor agora acompanha com cautela a situação no Golfo. Segundo Estevão Carvalho, gerente de mercado da Associação Brasileira de Proteína Animal, a região é um dos principais destinos das exportações brasileiras de frango.

Cerca de 30% das exportações do produto vão para países do Golfo, o que representa aproximadamente 1,2 milhão de toneladas por ano.

Transporte marítimo pode interromper exportações

Um dos maiores riscos para o comércio internacional é a situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo.

Especialistas apontam que navios cargueiros já estão sendo desviados para evitar a área do conflito. Em alguns casos, cargas estão sendo suspensas temporariamente, o que afeta o abastecimento de países do Oriente Médio.

A indústria do tabaco também tenta se adaptar ao novo cenário. Empresas brasileiras buscam rotas alternativas de exportação, principalmente via África do Sul.

Mesmo assim, a mudança aumenta os custos logísticos.

Em 2025, o Brasil exportou 35 mil toneladas de tabaco para o Oriente Médio, movimentando cerca de US$ 194 milhões.

Especialistas avaliam que o impacto final da guerra sobre a economia brasileira vai depender da duração do conflito e da estabilidade das rotas comerciais internacionais.

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