Economia

Reforma Tributária exige reação das PMEs para evitar perda de contratos em 2026

Empresas de serviços e comércio precisam revisar regime tributário, contratos, sistemas e créditos acumulados para não perder competitividade na cadeia B2B

Avatar de João Kepler
João Kepler
09/03/2026, 12:08 • Atualizado em 09/03/2026, 12:08
compartilhar
Reforma Tributária exige reação das PMEs para evitar perda de contratos em 2026

A reforma tributária começou a sair do papel e entrou na prática a partir deste ano, e muitas pequenas e médias empresas ainda tratam o tema como algo distante, técnico ou restrito ao contador. Esse pode ser o primeiro erro estratégico.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A transição para o novo modelo, com a criação da CBS federal e do IBS estadual e municipal, não muda apenas alíquotas. Ela altera a lógica de competitividade entre fornecedores, especialmente no mercado B2B, onde crédito tributário e conformidade fiscal passam a pesar diretamente na decisão de contratação.

Em 2026, entram em vigor as alíquotas teste de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, iniciando o período de convivência entre o sistema atual e o novo modelo, que seguirá até 2033. Embora os percentuais iniciais sejam baixos, o impacto estratégico já começa agora.

Empresas maiores, que operam com crédito amplo no novo IVA, tendem a priorizar fornecedores que também estejam estruturados para gerar créditos tributários plenos. Isso pode reduzir a atratividade de parte das PMEs que permanecem no Simples Nacional sem avaliar os efeitos na cadeia.

O ponto central não é apenas quanto se paga de imposto, mas como esse imposto circula na cadeia produtiva. No modelo não cumulativo, o crédito financeiro passa a ser elemento-chave. Um fornecedor que não gera crédito ou que transfere crédito reduzido pode se tornar menos competitivo para grandes empresas que buscam eficiência tributária. Nesse cenário, a tributação deixa de ser apenas tema contábil e passa a ser critério comercial.

Especialistas alertam que setores intensivos em serviços podem enfrentar aumento relativo de carga no novo modelo, enquanto segmentos com maior volume de insumos tendem a se beneficiar da não cumulatividade plena. Para o comércio, o desafio pode vir da reorganização logística e da adaptação de sistemas fiscais. Em todos os casos, o impacto real dependerá do regime tributário adotado, da estrutura de custos e da capacidade de adaptação da empresa.

Para não perder contratos, eficiência, competitividade e oportunidades, as Pequenas e Médias empresas precisam agir agora em cinco frentes:

A primeira é revisar o regime tributário. Permanecer no Simples pode continuar fazendo sentido para muitos negócios, mas a decisão deve ser estratégica e não automática. Em cadeias B2B com grandes contratantes, migrar para Lucro Presumido ou Lucro Real pode aumentar competitividade ao permitir melhor aproveitamento de créditos.

A segunda frente é a revisão contratual. Como haverá período de transição até 2033, é recomendável incluir cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro e atualização automática em caso de mudança de alíquotas. Contratos antigos, sem proteção, podem corroer margens silenciosamente.

A terceira é investir em tecnologia e compliance. A convivência entre dois sistemas tributários exigirá maior controle na emissão de notas fiscais, escrituração e apuração de créditos. Empresas que gerarem inconsistências fiscais podem se tornar risco para seus clientes e perder espaço na cadeia.

A quarta frente, ainda pouco discutida, é estratégica para o caixa. Se Trata da recuperação e organização dos créditos tributários acumulados até 2025, dentro do modelo atual. Muitas empresas possuem créditos de PIS, Cofins ou ICMS não aproveitados integralmente. Com a transição para o novo sistema, é fundamental mapear esses valores, avaliar possibilidades de compensação ou restituição e estruturar um plano para transformar créditos parados em fluxo de caixa.

Isso é relevante porque, no novo modelo, a lógica de recolhimento muda. O imposto será destacado na nota e a dinâmica financeira tende a exigir maior organização do caixa no momento da operação. Ter créditos recuperados ou compensados pode aliviar a pressão inicial da transição e fortalecer o capital de giro justamente no período de adaptação.

A quinta frente é reposicionar a proposta de valor. Em um ambiente de maior transparência tributária, competir apenas por preço tende a se tornar mais difícil. PMEs que demonstram geração de resultado, eficiência operacional e governança sólida aumentam sua relevância estratégica, independentemente do regime tributário.

A reforma tributária não é apenas um debate sobre alíquotas futuras. É uma mudança estrutural que redefine como empresas compram e contratam. Para as PMEs, a decisão não é se a reforma vai impactar o negócio, mas se o impacto será negativo ou se poderá ser transformado em vantagem competitiva. O momento de preparação não é 2026. É agora.

Pense Nisso!

Mais da Nova Economia

Economia
há 2 dias

A previdência não vai quebrar, vai encolher

Envelhecimento da população reduz a base de contribuintes, amplia déficits e transforma a aposentadoria em um desafio para as próximas gerações

Economia
há 4 dias

Adeus à Poupança? Opções rendem mais com baixo risco

É possível acessar investimentos mais rentáveis usando o próprio aplicativo do banco

Economia
há 6 dias

9 milhões de empresas inadimplentes preocupam economia

Recorde histórico de CNPJs negativados revela pressão sobre caixa, crédito e sobrevivência dos pequenos negócios

Economia
há 12 dias

Prejuízo bilionário dos Correios preocupa pequenas empresas

Estatal enfrenta desafios financeiros que podem impactar empresas que dependem da logística para vender e crescer

Economia
há 13 dias

Brasileiro só começa a trabalhar para si a partir de hoje

Após 150 dias dedicados ao pagamento de impostos, taxas e contribuições, o contribuinte finalmente passa a gerar renda para o próprio bolso

Economia
há 18 dias

6x1: fim vai quebrar seu negócio ou salvar produtividade?

Redução da jornada de trabalho pode pressionar custos das PMEs brasileiras, mas também acelerar modernização, eficiência operacional e ganho de produtividade

Economia
há 23 dias

Brasileiro não percebeu ainda o quanto o dinheiro perdeu valor

De hambúrguer a carro popular, produtos comuns do dia a dia dispararam de preço nos últimos anos e revelam uma mudança silenciosa no poder de compra

Economia
04/05/2026

Inflação de alimentos e combustíveis pressiona o Nordeste e acende alerta para consumo e PMEs

Alta da cesta básica e dos combustíveis e efeitos do cenário internacional elevam custo de vida na região e aumentam pressão sobre famílias e pequenos negócios

Economia
04/05/2026

Brasil cresce abaixo do mundo e amplia perda de poder de compra

Dados do Fundo Monetário Internacional mostram desaceleração da economia brasileira, queda no ranking global e impacto direto no consumo das famílias e nas PMEs

Economia
29/04/2026

Bets tiraram R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro em 2 anos; quem mais sente são as PMEs

O dinheiro não sumiu da economia, ele mudou de lugar; isso explica por que o seu caixa está mais apertado

Economia
28/04/2026

O dinheiro que some antes do fim do mês acende alerta na economia brasileira

Mesmo com emprego em alta, famílias têm menos sobra no orçamento e consumo começa a travar

Economia
08/04/2026

Pequenas e médias empresas ainda operam sem medir valor e perdem oportunidades de crescimento

Falta de organização financeira, dependência do dono e ausência de visão sobre ativos tangíveis e intangíveis limitam vendas, captação e entrada de sócios

Economia
08/04/2026

Recuperação judicial em alta revela virada de chave no mercado brasileiro

Cenário expõe fim de um modelo antigo e reforça urgência da migração para a Nova Economia

Economia
06/04/2026

As armadilhas que estão quebrando os Pequenos e Médios negócios no Brasil

Erros silenciosos de gestão continuam sendo o principal fator de ruptura das empresas, mesmo quando há faturamento e clientes

Economia
30/03/2026

Dívidas com a União têm nova chance de negociação com até 100% de desconto em juros e multas

PGFN prorroga edital e já regulariza mais de R$ 51 bilhões, com forte adesão de pequenos negócios e MEIs

Últimas notícias de Economia

Economiahá 14 horas

Cesta junina tem queda de preços em produtos tradicionais

Levantamento da APAS mostra recuo nos preços de itens como açúcar, salsicha e farinha de trigo

Economiahá 2 dias

SpaceX sobe 19% na estreia em Nasdaq e supera US$ 2 trilhões em valor

Após captar US$ 75 bilhões no maior IPO da história, companhia de Elon Musk teve forte demanda dos investidores

Economiahá 2 dias

Aumento de gastos pode afetar imagem do Brasil, diz analista

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, diz que a deterioração fiscal pode aumentar a percepção de risco sobre o país no exterior

Economiahá 2 dias

Ibovespa encerra maior sequência de perdas semanais desde 1972

O principal índice da B3 recuou 0,21%, aos 171.132 pontos, mas na semana voltou a registrar alta e subiu 1,25%

Economiahá 2 dias

Congresso imita União em dívida rural, diz analista

Economista Marcos Mendes avalia que uso de recursos de fundos públicos pode ocultar efeitos do projeto sobre a dívida pública