Telefonema ‘cordial’ com Trump vira trunfo eleitoral de Lula
Pesquisas de opinião haviam começado a mostrar incômodo de parte da população com a postura de enfrentamento puro do presidente em relação a Trump

Presidente Lula durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025 | Ricardo Stuckert/PR
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição comemorou o telefonema entre o petista e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (21). A avaliação é de que a ligação, apesar de ser apenas o começo da retomada do diálogo, é um trunfo por mostrar Lula como estadista e capaz de avançar nas negociações do tarifaço, mesmo após o aumento recente das hostilidades entre os dois países. O Palácio do Planalto classificou a conversa como “amistosa” e “cordial”.
Até então, havia um entendimento de que os canais de diálogo com Washington estavam completamente interrompidos até pelo menos o resultado das eleições de outubro. E as pesquisas de opinião já haviam começado a mostrar um incômodo de parte da população com a postura de enfrentamento puro do presidente em relação a Trump.
“Essa notícia apresenta Lula como ele é: um estadista respeitado, uma liderança internacional que dialoga e é ouvida pelos maiores interlocutores mundiais”, disse à Coluna o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, que integra a coordenação da campanha petista.
A falta de avanço nas articulações diplomáticas para reverter ou reduzir o impacto do tarifaço vinha sendo usada pela oposição para desgastar Lula. O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto, afirmou em seu plano de governo que seria o único capaz de negociar com Trump devido à proximidade ideológica com o chefe da Casa Branca.
Lula tem a soberania como um mote de campanha. No ano passado, quando os EUA impuseram o primeiro tarifaço contra o Brasil, o presidente viu sua popularidade crescer. Dessa vez, apesar de um impulso positivo inicial para o petista, uma pesquisa recente da Genial/Quaest mostrou queda de 17 para 8 pontos percentuais na diferença entre os eleitores que veem Lula como alguém que representa melhor os interesses do país e aqueles que apontam Flávio nesse papel.
O telefonema entre Lula e Trump ocorre após uma série de episódios que aumentaram a tensão entre Washington e Brasília. Uma delas foi a tentativa do Departamento de Estado americano de enviar ao Brasil duas autoridades que, segundo o Itamaraty, tinham a missão de questionar as urnas eletrônicas. Os vistos para ambos foram negados.
Além disso, os EUA suspenderam o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A justificativa foi uma alegada demora do Brasil em conceder o agrément (aceite oficial) para o indicado de Trump como embaixador americano em Brasília, Daniel Perez. O Itamaraty chegou a dizer textualmente, em nota, que a medida fazia parte de uma tentativa de interferência nas eleições.
























