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Governo Trump cancela visto da embaixadora do Brasil nos EUA

Segundo governo, Maria Luiza Ribeiro Viotti poderá permanecer nos EUA, mas sem visto válido

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Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca e a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos Maria Luiza Ribeiro Viotti | Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein/Agência Senado

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Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A informação foi confirmada ao SBT News nesta terça-feira (4).

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A decisão foi tomada em resposta ao que foi entendido pelo governo Trump como demora do governo brasileiro em conceder o agrément — aprovação diplomática formal necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o cargo — a Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para representar os Estados Unidos no Brasil.

Não há prazo oficial para que um país conceda o agrément a um embaixador estrangeiro. Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto afirmavam que o governo não pretendia acelerar a análise da indicação de Daniel Perez, mas também não atrasá-la deliberadamente. A avaliação era de que não havia urgência diante do contexto de tensão diplomática e das recentes manifestações de autoridades norte-americanas sobre as eleições brasileiras.

De acordo com o representante do governo norte-americano, o visto de Maria Luiza Viotti será restabelecido assim que o Brasil conceder a autorização diplomática ao indicado por Washington.

O governo dos Estados Unidos também argumenta que a decisão ocorre após uma série de episódios considerados por Washington como demonstrações de hostilidade por parte do governo brasileiro. Entre eles, estariam a negativa de visto ao conselheiro sênior para o Brasil, Darren Beattie, e as recusas de entrada ao secretário-assistente Riley Barnes e ao secretário-assistente adjunto Sam Samson durante viagens classificadas pelos norte-americanos como oficiais.

A decisão representa uma escalada na crise diplomática entre Brasília e Washington. O impasse gira em torno da indicação de Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, cuja aprovação formal ainda não foi concedida pelo governo brasileiro.

Até o momento, o governo brasileiro não anunciou medidas em resposta ao cancelamento do visto da embaixadora nem informou quando pretende concluir a análise do agrément solicitado pelos Estados Unidos.

Governo já esperava retaliações

A principal preocupação do governo é uma eventual nova aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, hipótese que ganhou força após a Casa Branca renovar, por mais um ano, a emergência nacional em relação ao Brasil sob a justificativa de que ações do governo brasileiro continuam representando ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.

O Planalto também considera que a decisão de negar vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos EUA, que pretendiam discutir o sistema eleitoral brasileiro e se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contribuiu para o agravamento da crise diplomática. Aliados de Lula interpretam as recentes ações do governo Donald Trump como parte de uma estratégia de pressão política e avaliam que integrantes da administração americana tentam influenciar o cenário eleitoral brasileiro.

Apesar da escalada nas tensões, a orientação no governo é evitar uma resposta imediata. A avaliação é que eventuais medidas de reciprocidade, como a aplicação da Lei da Reciprocidade em reação ao novo tarifaço ou a outras sanções, devem ser analisadas apenas após as eleições. A estratégia é preservar os canais de diálogo com a Casa Branca e evitar um novo agravamento da relação bilateral.

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