GDF capta R$ 1 bi, mas ainda faltam recursos para salvar BRB
Banco de Brasília havia se comprometido a resolver problema de patrimônio até 29 de maio


Agência do BRB | Divulgação
O governo do Distrito Federal (GDF) conseguiu captar R$ 1 bilhão com a primeira fase da securitização de sua dívida pública, uma estratégia financeira para antecipar recebíveis, de acordo com fontes do Executivo local. O montante será aportado no Banco de Brasília (BRB), que ainda precisaria levantar cerca de mais R$ 7 bilhões até esta sexta-feira (29). O prazo foi acordado com o Banco Central para resolver o problema de patrimônio deixado pelas transações fraudulentas com o Master.
Em abril, uma assembleia de acionistas do BRB aprovou um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para cobrir o rombo deixado pelos negócios com Daniel Vorcaro, mas nunca ficou claro de onde o GDF, o controlador da instituição pública, tiraria os recursos. A governadora Celina Leão (PP) gostaria de tomar um empréstimo com bancos privados por meio de garantia do Tesouro Nacional, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou a operação.
Sem saída, o GDF acelerou um processo de securitização da sua dívida pública. Funciona assim: a administração vende ao mercado financeiro, com deságio, títulos que têm a receber no futuro. É uma forma de antecipar seus recebíveis, embora com um valor menor do que aquilo que teria direito no futuro.
De acordo com fontes, a primeira etapa de venda desses direitos de dívidas, no total de R$ 1 bilhão, já foi concluída, mas outros R$ 4 bilhões podem “pingar na conta” do GDF ainda nesta semana. A chance de totalização dos R$ 8 bilhões até esta sexta-feira, prazo sugerido pelo próprio BRB ao Banco Central, porém, é considerada improvável.
Embora afete a credibilidade do BRB no mercado financeiro, a não-solução do problema de patrimônio até 29 de maio não significa punição imediata ao banco por parte do BC. “Banco não é iogurte para ter prazo de validade”, sinalizou na semana passada o presidente do BC, Gabriel Galípolo, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Por ora, o BRB paga uma multa diária por não ter publicado seu balanço financeiro do primeiro trimestre até hoje, justamente em virtude de sua reestruturação interna. Além disso, o BC faz um acompanhamento diário das condições de patrimônio e liquidez do Banco de Brasília, que pode ser alvo de uma intervenção da autoridade monetária a qualquer momento, e não necessariamente após o dia 29 de maio.


























