PGR chamou de 'precipitada' busca contra aliados de senador
Vice-procurador diz que quebras de sigilo eram suficientes para apurar suspeitas

Senador Weverton Rocha (PDT-MA) | Divulgação/Carlos Moura/Agência Senado
A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou contra as buscas e apreensões contra os familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz.
O vice-procurador Hindenburgo Chateaubriand Filho argumentou que as medidas seriam muito invasivas nesta fase do inquérito. Para ele, os dados das quebras dos sigilos fiscais e bancários seriam suficientes para analisar, nesta fase, as suspeitas relacionadas à movimentação de recursos.
Hindenburgo defendeu que as buscas "parecem precipitadas" e poderiam ser realizadas se as suspeitas fossem reforçadas após a análise das quebras de sigilo.
"Ainda que o conjunto de indícios até o momento colhido desenhe um quadro verossímil de eventos, as quebras de sigilo servirão para confirmar, com a consistência necessária, a origem dos recursos movimentados pelos investigados, as conexões financeiras entre si estabelecidas e o possível descompasso patrimonial", disse a PGR, em manifestação sob sigilo obtida pelo SBT News.
"Numa palavra, ações ostensivas da força policial, materializadas em medidas como a busca e apreensão, reclamam aprofundamento prévio das hipóteses acusatórias, para que se obtenha um traço mais definido do fumus comissi delicti", completou.
Operação
Familiares do senador Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz foram alvos da Operação Sem Desconto, na terça-feira (4). O inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo as fraudes no INSS.
Segundo a Polícia Federal, movimentações financeiras e patrimoniais entre o escritório de Tomaz e familiares de Weverton levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro.
Entre as suspeitas estão a compra de uma mansão de R$ 6 milhões com recursos de uma empresa de Willer Tomaz. O imóvel é apontado pela PF como a residência de Weverton Rocha, em Brasília.
A PF também aponta que a mulher de Weverton, Samya Rocha, teria recebido valores superiores a R$ 11 milhões de empresas relacionadas ao advogado.
Weverton afirmou, em nota, que todas as movimentações financeiras mencionadas pela Polícia Federal decorrem da atividade profissional e empresarial de seus familiares.
Ele disse ainda que a operação foi realizada para prejudicar sua candidatura ao Senado. "Apesar da dureza do jogo político, reafirmo que não me renderei", disse.
Willer disse que Samya Rocha, esposa de Weverton, trabalha em seu escritório e que os valores repassados seriam honorários advocatícios regulares.
"Quanto ao imóvel mencionado, Willer Tomaz esclarece que, em sua atuação empresarial, é proprietário de uma imobiliária sediada em Brasília, que possui, administra e negocia diversos imóveis na capital federal. As atividades da empresa são realizadas regularmente, não havendo qualquer irregularidade nas operações citadas", completou o advogado, em nota.

























