Análise: Pautas-bomba e maioridade penal tiram foco da 6x1
Oposição tenta emplacar outras temas para evitar que governo siga faturando com proposta que muda jornada de trabalho


Congresso pode votar Orçamento de 2025 nesta quinta (20) | Divulgação/Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Parlamentares de oposição foram rápidos ao levar para as plataformas digitais a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do texto que prevê redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Ela teve 44 votos favoráveis e 18 contrários. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) postou um trecho das declarações que ele deu durante sessão da comissão e fez questão de pontuar que a proposta não teve apoio da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os parlamentares do PL e de outros partidos de oposição usam o tema para fazer contraponto ao governo e à aprovação no plenário da Câmara da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1.
Cotado para ser o relator da proposta de redução da maioridade penal quando o texto for para comissão especial, o deputado Mendonça Filho (PL-PE) negou, em entrevista ao SBTNews, que o assunto tenha avançado agora por causa da proximidade da eleição e defendeu que o tema só seja votado em plenário depois do pleito presidencial.
Independentemente do rito de tramitação, parlamentares de oposição vão usar o tema para desgastar o Planalto.
Enquanto isso, no Senado, Davi Alcolumbre ainda não sinalizou o que vai ocorrer com a PEC que reduz de 44 para 40 horas semanais o tempo da jornada de trabalho para empregados celetistas.
Pelo contrário, o presidente do Senado, além de manter mistério sobre o futuro do texto que trata da redução da jornada de trabalho, ignorou também o apelo do ministro Dario Durigan, da Fazenda, que na terça (9), encontrou com Alcolumbre e pediu que ele barrasse o avanço de pautas-bomba do ponto de vista fiscal.
Uma delas foi para votação em plenário na tarde desta quarta (10). É o projeto de renegociação de dívidas rurais, com custo estimado de R$ 120 bilhões para os cofres federais. Nesta quarta, mais cedo, comissões do senado aprovaram ainda regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias e piso salarial para médicos.
Com o avanço das pautas-bomba, Alcolumbre tira o foco das cobranças que ele vinha recebendo para acelerar a tramitação justamente do fim da escala 6x1 e faz o governo ter que mudar o foco das negociações com o Congresso.

























