Aberto há 2 meses, inquérito contra Flávio mal caminhou
Investigação por lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes ainda não produziu efeito; pressão sobre STF aumenta às vésperas das eleições

Lançamento da campanha do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República, com vice Alfredo Gaspar, em comício do Partido Liberal (PL) na praia de Copacabana | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil - 16.08.2026
O inquérito contra o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) aparentemente não produziu até agora nenhuma busca e apreensão, quebra de sigilo ou operação policial, como demonstrado pela quebra de sigilo dos documentos do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (10).
Esse é o sintoma de uma investigação que ninguém nunca viu.
O inquérito foi autorizado em julho, o que já havia sido noticiado, ainda que sem ampla escala. A informação tornou-se mais evidente após a exposição de decisões e documentos que caminhavam discretamente sob o manto do sigilo judicial.
Em meio ao cenário de alta competitividade pela presidência da República que o Brasil vive hoje, saber de maneira escancarada que um presidenciável é alvo de inquérito por possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva nem de longe pode ser considerada informação restrita a poucos.
Há dois meses, o inquérito mal caminhou. De julho para cá, uma rápida busca, para aqueles que já duvidam da própria memória, mostra que houve convenções partidárias confirmando os candidatos nestas eleições; os Estados Unidos agravaram as medidas contra o Brasil como suspender o visto da embaixadora brasileira nos EUA; suspeitas da relação do ministro Alexandre de Moraes com o Master deixaram de ser sigilosas; e até o diretor-geral da Polícia Federal foi alvo de afastamento que foi revertido depois.
Mas, não houve nenhuma operação policial autorizada pelo ministro André Mendonça sobre Dark Horse. A única até agora veio da lavra do ministro Flávio Dino em outro inquérito que trata de emendas parlamentares e resvalou em recursos públicos que ilegalmente teriam sido desviados para o filme.
A revelação conta a gotas, a três semanas para eleições, eleva as desconfianças sobre o Poder Judiciário e também as pessoas e suas condutas que ainda estão por ser reveladas.
O “barulho” que veio de Brasília, expressão utilizada pelo ministro Flávio Dino em momento de desabafo, está longe do fim. A população ainda não viu tudo.
A insegurança do momento serve de incentivo a teses conspiratórias e vídeos de IA que querem enganosamente completar os espaços da história que ainda não vimos.
Até o julgamento marcado pelo STF, na terça-feira (15), ainda há tempo para revelações.
























