Brasil

O fruto que evoca memórias da infância

Polpa de pêssego é suculenta e doce, coberta por uma pele aveludada que varia de tons entre amarelo e laranja

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Alessandra Bergmann
07/11/2023, 20:07 • Atualizado em 02/12/2023, 20:01
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imagem de pêssego

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Existem sabores e aromas que, ao serem apreciados, nos transportam instantaneamente a lembranças de nossa infância. Para mim, esse sabor nostálgico é o pêssego. Durante os meses quentes da primavera, era a época da colheita no pomar de meu tio. Minha avó nos instruía a colher a quantidade exata que ela usaria para fazer "schmiers" (um doce alemão para passar no pão) e geleias com essa fruta.

Nos envolvíamos no processo de descascar e retirar o caroço, e até mesmo na ritualística de mexer a panela no fogo (sim, as crianças dos anos 80 eram encorajadas a ajudar na cozinha). Tudo isso acontecia na época do ano em que a região de Pelotas, onde nasci, se destacava como a maior produtora de pêssegos no Brasil. Cerca de mil famílias cultivavam variedades dessa fruta destinadas à indústria.

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Entretanto, a safra de 2023 não será generosa com o pêssego, especialmente na região sul do país. O excesso de umidade e a falta de sol estão causando a deterioração da fruta, a propagação de doenças e, consequentemente, prejuízos consideráveis. No Rio Grande do Sul, que responde por 60% da produção de pêssegos, os pomares foram impactados pelas chuvas, e para agravar a situação, o inverno foi ameno - os pessegueiros necessitam de pelo menos 600 horas de frio para um bom desenvolvimento. Além disso, ocorreram geadas tardias em setembro, bem como um frio intenso fora de época, quando as plantas já estavam em floração. À medida que a colheita se inicia, as quebras na safra variarão de região para região.

Na Serra Gaúcha, onde se concentra o cultivo do pêssego de mesa, destinado ao consumo in natura ou para fabricação de doces, as perdas podem chegar a 60%. Em São Paulo, o segundo maior produtor de pêssegos no Brasil, a colheita teve um pequeno atraso, mas a produtividade tem agradado aos produtores, principalmente na região de Jundiaí e Jarinu, conhecida como a "cidade do pêssego".

Além disso, há uma história interessante relacionada à "terra do pêssego em calda", que é Pelotas. Perto de 1900, um dentista francês chamado Amadê Gastal, que residia na região, produziu a primeira lata de compotas, semelhante às que encontramos nos mercados até hoje. Isso possibilitou a conservação da fruta por muito mais tempo. Hoje, cerca de 99% do pêssego em lata produzido no Brasil é proveniente das dez indústrias localizadas naquela região.

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