Tecnologia

Trump diz que quer acionar Elon Musk para restaurar internet no Irã

Serviço Starlink já foi usado no país durante protestos anteriores; internet está bloqueada há quatro dias

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Trump quer articular uso da Starlink para estabelecer rede no Irã | Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesse domingo (11) que quer conversar com o bilionário Elon Musk para restaurar a internet no Irã. Há quatro dias, as autoridades bloquearam os serviços no país em resposta aos protestos contra o governo. As informações são da Reuters.

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"Ele é muito bom nesse tipo de coisa, ele tem uma empresa ótima", disse Trump a jornalistas após ser questionado se ele se envolveria com a SpaceX, de Musk. A empresa oferece um serviço de internet via satélite chamado Starlink, tecnologia que já foi utilizada no Irã antes do apagão.

O mandatário dos EUA também afirmou que haverá "consequências graves" caso o regime iraniano intensifique a repressão aos protestos.

Musk já defendeu publicamente o fornecimento da Starlink aos iranianos para driblar as restrições estatais. Em 2022, após a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial, a então administração de Joe Biden foi em busca do empresário para viabilizar o uso da tecnologia durante os protestos que se espalharam pelo país.

Além disso, essa não seria a primeira vez que a Starlink é utilizada em regiões afetadas por instabilidade política. O serviço foi utilizado na Ucrânia durante o conflito com a Rússia, mas foi desligado em 2022, durante uma ofensiva ucraniana.

Até o momento, Musk e SpaceX não responderam a pedidos de comentários da Reuters sobre o Irã.

Sem rede há quatro dias

Os serviços de internet e telefonia no Irã estão fora do ar desde a última quinta-feira (8), quando o governo impôs um apagão em meio aos protestos. A medida é vista como uma estratégia para dificultar a organização dos atos e limitar a divulgação e relatos da repressão.

As manifestações começaram no fim de dezembro e foram motivadas, de início, pela disparada nos preços dos alimentos básicos após o governo encerrar um programa de subsídios cambiais. Os primeiros atos aconteceram nos bazares do Teerã, dos comerciantes conhecidos como bazaris, grupo tradicionalmente alinhado ao regime.

Com o avanço dos protestos, a população passou a questionar também a liderança religiosa que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

Grupos e entidades de proteção aos direitos humanos relataram uma escalada da violência nas últimas duas semanas. A organização HRANA, sediada nos Estados Unidos, afirma ter verificado a morte de pelo menos 490 manifestantes e 48 agentes de segurança, além da prisão de mais de 1.600 pessoas. O governo iraniano não divulgou números oficiais e a Reuters não conseguiu verificar os dados de forma independente.

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