O que falta para a China poder comprar chips da Nvidia após aval de Trump
Mesmo com estoque e pedidos na mesa, a venda do chip H200 à China depende de decisões políticas que vão além do mercado


Exame.com
Os chips estão prontos, os clientes esperam — e o dinheiro também. O que falta para que um dos semicondutores de inteligência artificial mais poderosos do mundo chegue às mãos das empresas chinesas não é capacidade produtiva nem demanda, mas um sinal verde político que atravessa Washington e Pequim. No centro dessa equação está o H200, chip da Nvidia que se tornou peça-chave tanto na corrida global por IA quanto no xadrez geopolítico entre Estados Unidos e China.
Segundo o Asia Nikkei, a Nvidia identificou uma forte demanda de clientes da China pelo chip de inteligência artificial (IA) H200, mas ainda aguarda a aprovação dos órgãos regulatórios dos Estados Unidos e de Pequim para iniciar as vendas.
Ainda segundo a empresa, os pedidos de licença de exportação já foram apresentados às autoridades estadunidenses e estão em análise, segundo informações da Bloomberg.
As informações foram divulgadas pela diretora financeira da Nvidia, Collete Kress, durante reunião com analistas na feira de tecnologia CES, realizada nesta segunda-feira, 05, em Las Vegas. O presidente-executivo da companhia, Jensen Huang, também descreveu a procura pelo H200 no mercado chinês como "forte".
De acordo com Kress, independentemente do nível de aprovação das licenças, a Nvidia tem estoque suficiente para atender os clientes chineses sem comprometer o fornecimento para outros mercados, com expectativa para começar a distribuição em fevereiro.
No entanto, diante do aumento da demanda, a empresa teria procurado a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) para discutir uma produção adicional do H200, segundo informações da Reuters.
À espera do aval
Em dezembro de 2025, o governo de Donald Trump passou a autorizar exportações do H200 para a China, mediante taxa de 25%. A medida reverte uma decisão da gestão anterior, que havia proibido a exportação de chips de IA ao país.
Além da autorização do governo estadunidense, a venda e o uso do chip H200 por empresas da China também dependem da aprovação de Pequim, onde existe o receio de que o acesso a chips estrangeiros avançados atrase o desenvolvimento da indústria doméstica de semicondutores de IA.
Anteriormente, as autoridades chinesas desencorajaram órgãos públicos e empresas locais a usarem o H20, uma versão menos potente do chip desenvolvida pela Nvidia especificamente para o mercado chinês.
O que é o chip H200?
O H200 é um chip gráfico (GPU) fabricado pela Nvidia é considerado um dos semicondutores de IA mais potentes da empresa.
Baseado na arquitetura Hopper, ele foi criado para lidar com tarefas de alto desempenho, como o treinamento e a execução de modelos de IA generativa.
Com 141 GB de memória e lrgura de banda de até 4,8 terabytes por segundo, trata-se de uma evolução direta do H100, usado no treinamento do GPT-4, por exemplo, e é o primeiro chip da Nvidia a adotar a memória HBM3E, considerada mais rápida e eficiente.








