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Férias, telas e exposição infantil: como proteger as crianças nesta época do ano

Especialista em Direito Digital e Proteção de Dados alerta e dá dicas de um uso seguro

Imagem da noticia Férias, telas e exposição infantil: como proteger as crianças nesta época do ano
Como proteger as crianças com o uso de telas nas férias? | Foto: Freepik
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As férias escolares são um período de muita diversão para as crianças e de alguns desafios para os pais. A maioria acessa a internet diariamente e com pouca supervisão, o aparelho vai para a viagem, para a mesa do restaurante, para a casa da avó e até para o quarto na hora de dormir. Nas férias, com menos horários e mais liberdade, aquilo que seria um vídeo virou maratona, e um joguinho inocente toma boa parte do dia e muitas vezes sem que os adultos percebam.

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A advogada especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, Antonielle Freitas alerta sobre os cuidados que esse uso frequente exige:

“O que muitos pais e responsáveis não percebem é que, nesse fluxo constante de interações digitais, as crianças não só geram uma quantidade imensa de dados pessoais, mas também têm esses dados coletados de forma massiva por plataformas e aplicativos. E boa parte dessa exposição é alimentada pelos próprios adultos.”

A especialista também explica um termo em inglês que é a junção de compartilhar (share) e parentalidade (parenting). Quando quem expõe na internet é a família, esse hábito recebe um nome: “sharenting”. Antes mesmo de falar, muitos bebês já têm uma vida inteira registrada online: ultrassom, nascimento, primeiros passos, praia, piscina. Nas férias, esse ritmo cresce ainda mais.

De acordo com Antonielle, os pais contam a vida dos filhos na internet, muitas vezes sem refletir sobre o impacto disso no futuro deles.

Essa prática cria riscos reais:

• Estranhos podem descobrir onde a família está hospedada;

• Saber por quanto tempo ficará fora de casa;

• Identificar escola, rotina e locais frequentados;

• Mapear relações familiares e sociais.

A advogada explica que além disso, há o fator emocional: fotos constrangedoras, cenas íntimas ou momentos delicados que podem gerar desconforto no futuro.

“A legislação prevê cuidado especial com dados de crianças e determina que qualquer tratamento desses dados deve estar vinculado ao melhor interesse da criança e não ao entretenimento dos adultos ou ao engajamento em rede social”, esclarece.

Alertas com telas

Férias também significam instalar novos joguinhos e aplicativos. E, no impulso de “resolver logo”, muitos pais aceitam termos de uso sem ler. Só que, no mundo digital, quase nada é de graça: quando o serviço não cobra dinheiro, costuma cobrar dados.

Aplicativos populares entre crianças frequentemente coletam localização, monitoram hábitos de uso, acessam câmera, microfone e contatos, registram interações e preferências.

Antonielle explica que essas informações permitem montar perfis detalhados de comportamento e interesse desde muito cedo. “Isso alimenta sistemas de recomendação de conteúdo e publicidade direcionada, ainda que, em tese, muitas legislações limitem esse tipo de prática com crianças.”

Dicas para um uso seguro

Para a especialista em direito digital, a solução não é proibir tudo. O que os pais podem fazer, na prática é adotar medidas simples e realistas, como:

1. Combinar regras de uso

• Definir horários máximos por dia, adaptados à idade;

• Estabelecer espaços sem tela: refeições, momentos em família, hora de dormir;

• Alternar entre atividades online e offline.

2. Reduzir a exposição nas redes

• Evitar localização em tempo real;

• Não mostrar informações sensíveis;

• Revisar configurações de privacidade

3. Configurar os dispositivos

• Ativar controles parentais;

• Bloquear compras e downloads livres;

• Revisar permissões concedidas aos apps .

4. Conversar sobre riscos

• Explicar que existem pessoas más online.

“A tecnologia faz parte da vida das crianças e isso é ótimo quando usado com equilíbrio. O objetivo não é criar pânico, mas consciência”, conclui Antonielle.

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