Meta terá que suspender treinamento de inteligência artificial com dados de brasileiros
Decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANDP) prevê punição de até R$ 50 mil por dia; empresa diz estar "desapontada"
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Cido Coelho
Meta mudou em junho a política de privacidade para usar dados de usuários das redes sociais para treinar IA | Montagem/Cido Coelho/SBT News
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A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que a Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, suspenda, no Brasil, o uso de dados de usuários para treino de inteligência artificial (IA).
Em despacho publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (2), a ANPD prevê multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento, devido ao “risco iminente de dano grave, irreparável ou de difícil reparação aos direitos fundamentais dos titulares afetados”.
A decisão foi tomada pelo Conselho Diretor da ANPD, cujo documento foi assinado pelo diretor-presidente da autoridade, Waldemar Gonçalves, que determina o cumprimento imediato do despacho.
“A ANPD tomou conhecimento do caso e instaurou processo de fiscalização de ofício — ou seja, sem provocação de terceiros — em função de indícios de violações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Após análise preliminar, diante dos riscos de dano grave e de difícil reparação para os usuários, a Autoridade determinou cautelarmente a suspensão da política de privacidade e da operação de tratamento”, diz a nota oficial.
Além disso, a ANPD deu cinco dias para a Meta apresentar ao governo uma documentação que prove a mudança na Política de Privacidade dos serviços da empresa, excluindo o trecho sobre o uso de dados pessoais para treinar as IAs generativas.
A empresa também tem que entregar uma declaração assinada pelo representante legal da big tech, atestando que o uso dos dados dos brasileiros foi suspenso.
A Meta começou a usar os dados dos usuários das suas principais redes sociais no mundo todo a partir de 16 de junho, quando seus termos foram atualizados.
Desde esta mudança, a empresa passou a usar dados de publicações abertas de usuários, como textos, fotos e vídeos, para treinar sua inteligência artificial generativa, como a Llama, por exemplo.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) também enviou em 26 de junho uma notificação à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), à ANPD e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que os órgãos investiguem e suspendam as políticas de privacidade da Meta em relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao Código de Defesa do Consumidor.
“A Meta trata os brasileiros como cidadãos de segunda classe. Mudar as regras e dificultar o acesso a direitos por parte dos consumidores é uma prática comum dela em relação à sua Política de Privacidade”, avisa a advogada do Idec, Marina Fernandes, na época.
“Desapontados com a ANPD”
Meta deve suspender o treinamento de IA com dados de brasileiros, determina ANPD | Montagem/Cido Coelho/SBT News
Procurada pela reportagem do SBT News, a Meta disse estar “desapontada com a decisão da ANPD” e alegou que a empresa é “transparente” no uso dos dados públicos que são compartilhados para treinamento de sua IA e produtos.
“Treinamento de IA não é algo único dos nossos serviços, e somos mais transparentes do que muitos participantes nessa indústria que têm usado conteúdos públicos para treinar seus modelos e produtos”, alega a big tech.
A Meta ainda reforça que vai trabalhar com as autoridades brasileiras para esclarecer as dúvidas e ainda disse que o despacho é um “retrocesso para a inovação” em IA, atrasando os benefícios para os brasileiros.
“Nossa abordagem cumpre com as leis de privacidade e regulações no Brasil, e continuaremos a trabalhar com a ANPD para endereçar suas dúvidas. Isso é um retrocesso para a inovação e a competitividade no desenvolvimento de IA, e atrasa a chegada de benefícios da IA para as pessoas no Brasil”, explica a nota da Meta.
Meta muda as suas políticas de privacidade para usar dados dos usuários e treinar IA | Reprodução/Meta
Na Europa, a medida foi adiada
A Meta informou a União Europeia, em 4 de junho, sobre sua mudança na política de uso de dados públicos para treinar a IA.
No entanto, a empresa adiou a estratégia após a forte repercussão negativa.
No Brasil, a medida tomada pela big tech ainda continua valendo.
Meta terá que suspender treinamento de inteligência artificial com dados de brasileirosDecisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANDP) prevê punição de até R$ 50 mil por dia; empresa diz estar "desapontada"Tecnologia2024-07-02T15:22:05.514ZA Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que a Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, suspenda, no Brasil, o uso de dados de usuários para treino de inteligência artificial (IA). Em despacho publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (2), a ANPD prevê multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento, devido ao “risco iminente de dano grave, irreparável ou de difícil reparação aos direitos fundamentais dos titulares afetados”. A decisão foi tomada pelo Conselho Diretor da ANPD, cujo documento foi assinado pelo diretor-presidente da autoridade, Waldemar Gonçalves, que determina o cumprimento imediato do despacho. “A ANPD tomou conhecimento do caso e instaurou processo de fiscalização de ofício — ou seja, sem provocação de terceiros — em função de indícios de violações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Após análise preliminar, diante dos riscos de dano grave e de difícil reparação para os usuários, a Autoridade determinou cautelarmente a suspensão da política de privacidade e da operação de tratamento”, diz a nota oficial. Além disso, a ANPD deu cinco dias para a Meta apresentar ao governo uma documentação que prove a mudança na Política de Privacidade dos serviços da empresa, excluindo o trecho sobre o uso de dados pessoais para treinar as IAs generativas. A empresa também tem que entregar uma declaração assinada pelo representante legal da big tech, atestando que o uso dos dados dos brasileiros foi suspenso. A Meta começou a usar os dados dos usuários das suas principais redes sociais no mundo todo a partir de 16 de junho, quando seus termos foram atualizados. Desde esta mudança, a empresa passou a usar dados de publicações abertas de usuários, como textos, fotos e vídeos, para treinar sua inteligência artificial generativa, como a Llama, por exemplo. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) também enviou em 26 de junho uma notificação à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), à ANPD e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que os órgãos investiguem e suspendam as políticas de privacidade da Meta em relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao Código de Defesa do Consumidor. “A Meta trata os brasileiros como cidadãos de segunda classe. Mudar as regras e dificultar o acesso a direitos por parte dos consumidores é uma prática comum dela em relação à sua Política de Privacidade”, avisa a advogada do Idec, Marina Fernandes, na época. “Desapontados com a ANPD” Procurada pela reportagem do SBT News, a Meta disse estar “desapontada com a decisão da ANPD” e alegou que a empresa é “transparente” no uso dos dados públicos que são compartilhados para treinamento de sua IA e produtos. “Treinamento de IA não é algo único dos nossos serviços, e somos mais transparentes do que muitos participantes nessa indústria que têm usado conteúdos públicos para treinar seus modelos e produtos”, alega a big tech. A Meta ainda reforça que vai trabalhar com as autoridades brasileiras para esclarecer as dúvidas e ainda disse que o despacho é um “retrocesso para a inovação” em IA, atrasando os benefícios para os brasileiros. “Nossa abordagem cumpre com as leis de privacidade e regulações no Brasil, e continuaremos a trabalhar com a ANPD para endereçar suas dúvidas. Isso é um retrocesso para a inovação e a competitividade no desenvolvimento de IA, e atrasa a chegada de benefícios da IA para as pessoas no Brasil”, explica a nota da Meta. Na Europa, a medida foi adiada A Meta informou a União Europeia, em 4 de junho, sobre sua mudança na política de uso de dados públicos para treinar a IA. No entanto, a empresa adiou a estratégia após a forte repercussão negativa. No Brasil, a medida tomada pela big tech ainda continua valendo. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/tecnologia/anpd-manda-meta-suspender-treinamento-de-inteligencia-artificial-com-dados-de-brasileiros