Seus ossos também envelhecem: como evitar fraturas e seguir ativo
A prevenção é o melhor caminho para manter a mobilidade, a independência e a qualidade de vida na maturidade


Brazil Health
Ao longo de mais de 10 anos de atuação médica, escuto* as mesmas frases no consultório:
- "Doutora, vim hoje à consulta porque quero saber se meus ossos estão fracos!"
- "Doutora, não consigo fazer musculação; meus ossos não vão aguentar!"
- "Doutora, estou muito preocupada... minha vizinha caiu em casa e quebrou o fêmur do nada!"
E, durante o exame físico, especialmente entre as mulheres, é comum ouvir: "Doutora, perdi altura e estou encurvada!"
O que é, de fato, o "osso fraco"?
O que muitos chamam de "osso fraco" é, na verdade, a osteoporose - condição caracterizada pela perda progressiva de massa óssea, que torna os ossos mais frágeis e aumenta significativamente o risco de fraturas, mesmo após quedas simples ou movimentos do dia a dia. Quadril, vértebras e punhos são as regiões mais acometidas.
Considerada um problema de saúde pública, a osteoporose afeta milhões de brasileiros, especialmente mulheres após a menopausa e homens a partir dos 70 anos, e costuma evoluir de forma silenciosa. A suspeita deve surgir diante de fatores como histórico familiar, tabagismo, consumo excessivo de álcool, fraturas prévias, perda de estatura, alterações posturais, uso prolongado de medicamentos como corticoides e anticonvulsivantes e doenças crônicas, como artrite reumatoide e doença renal crônica.
O geriatra tem papel central nessa avaliação, ao integrar aspectos clínicos, funcionais e preventivos do envelhecimento, promovendo autonomia e qualidade de vida.
Diagnóstico simples, prevenção eficaz
O diagnóstico da osteoporose é feito por meio da densitometria óssea, exame simples, rápido e indolor que mede a quantidade de cálcio e outros minerais nos ossos, identificando se estão fortes (normal), enfraquecidos (osteopenia) ou já frágeis (osteoporose). O procedimento é realizado com o paciente deitado em uma maca, enquanto o aparelho avalia a densidade da coluna lombar e do quadril - regiões mais vulneráveis a fraturas. A exposição à radiação é mínima, bem inferior à de uma tomografia.
Por ser um exame preventivo, a densitometria permite detectar a perda óssea antes de ocorrerem fraturas, possibilitando intervenções precoces que ajudam a preservar mobilidade e qualidade de vida.
Mas, doutora, se a osteoporose é tão silenciosa, o que posso sentir que indique que devo procurar um médico?
A maioria dos idosos com osteoporose não sente nada até sofrer uma fratura. Por isso, sinais como dores persistentes nas costas (especialmente na lombar), perda de altura maior que 2 cm e alterações posturais não devem ser atribuídos apenas ao envelhecimento natural. Eles indicam a necessidade de avaliação médica, pois o diagnóstico precoce evita consequências graves.
Hábitos que fortalecem os ossos
A proteção dos ossos começa com atitudes simples no dia a dia. Manter uma alimentação rica em cálcio e vitamina D, praticar atividade física regular (com foco em força, equilíbrio e caminhada) e evitar o cigarro e o consumo excessivo de álcool são medidas essenciais para a saúde óssea.
Além disso, pequenas adaptações em casa - como boa iluminação, retirada de tapetes soltos e uso de calçados adequados - ajudam a prevenir quedas, uma das principais causas de fraturas em pessoas com ossos frágeis.
O acompanhamento médico regular permite identificar riscos individuais, ajustar tratamentos e orientar estratégias personalizadas. Envelhecer com ossos fortes é resultado de prevenção contínua e escolhas conscientes.
Falar sobre ossos é falar sobre qualidade de vida
Mais do que um diagnóstico, falar sobre osteoporose é falar sobre movimento, independência e autoestima. Informação transforma comportamento: quando o assunto circula entre amigas na academia, em um café ou nas conversas em família, ganha força como ferramenta de prevenção.
Com a chegada de um novo ano, agendar uma consulta e avaliar a saúde dos ossos pode ser um gesto simples, mas decisivo, para viver com segurança, confiança e autonomia.
*Dra. Julianne Pessequillo - CRM 160.834 | RQE 71.895
Geriatra e clínica geral, especializada em longevidade saudável
Membro da Brazil Health







