Saúde

Saúde da mulher: conheça 6 cuidados essenciais para manter a saúde em dia

Especialistas reforçam a importância da prevenção diante da alta incidência de câncer e doenças cardiovasculares

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Camila Stucaluc
23/03/2026, 08:26 • Atualizado em 23/03/2026, 08:26
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Saúde da mulher: conheça 6 cuidados essenciais para manter a saúde em dia | Reprodução

Saúde da mulher: conheça 6 cuidados essenciais para manter a saúde em dia | Reprodução

Em meio às discussões que marcam o mês da mulher, os números relacionados à saúde feminina mostram que o cuidado e a prevenção também precisam estar presentes nessa agenda. O câncer de mama, por exemplo, segue como um dos principais desafios em saúde pública, com mais de 73 mil casos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

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O cenário é ainda mais amplo quando se observa a saúde cardiovascular. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças do coração respondem por um terço dos óbitos femininos no mundo, somando 8,5 milhões de mortes por ano — mais de 23 mil por dia. No Brasil, estima-se que mais de 30% das mortes em mulheres estejam relacionadas a essas condições.

Para Vitória Espíndola, ginecologista da Maternidade Brasília e do Hospital Brasília, da Rede Américas, esses dados reforçam a necessidade de ampliar o olhar sobre prevenção. “Prevenir é acompanhar de forma regular, identificar fatores de risco precocemente e incentivar hábitos saudáveis. Não se trata apenas de diagnosticar doenças, mas de promover bem-estar e reduzir impactos ao longo dos anos”, afirma.

Diante do cenário, especialistas destacam cinco cuidados essenciais que devem fazer parte da rotina feminina ao longo da vida. Confira:

  • Manter os exames de rastreamento atualizados

O câncer de mama é o tipo mais incidente entre mulheres no Brasil. A mamografia é recomendada, de forma geral, para mulheres a partir dos 40 anos, podendo ser indicada mais precocemente em casos de histórico familiar ou fatores de risco específicos, conforme avaliação médica individual.

A mastologista Michelle Ortega, do Hospital Santa Paula, reforça que o exame é a principal ferramenta para o diagnóstico precoce e deve fazer parte da rotina de cuidados femininos. “O rastreamento regular permite identificar alterações ainda em estágio inicial, muitas vezes antes do surgimento de sintomas. Isso amplia significativamente as chances de tratamento eficaz e melhores desfechos clínicos”, afirma.

Além do câncer de mama, a avaliação preventiva inclui exames laboratoriais periódicos, indicados especialmente para mulheres com histórico familiar de diabetes, doenças cardiovasculares ou alterações hormonais. Glicemia, colesterol, função tireoidiana e hemograma ajudam a detectar condições que evoluem silenciosamente.

“A prevenção não se limita a um único exame. O acompanhamento clínico integral permite uma visão global da saúde da mulher e aumenta as chances de diagnóstico precoce em diferentes frentes”, complementa a especialista.

  • Manter a vacinação em dia

A vacinação contra o HPV é recomendada prioritariamente para adolescentes, mas pode beneficiar adultos que ainda não foram imunizados, mediante orientação médica. Já a vacina contra hepatite B é indicada para pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto. Mulheres com vida sexual ativa ou histórico de infecções sexualmente transmissíveis devem redobrar a atenção à imunização.

“A vacinação é uma ferramenta de proteção que muitas vezes é negligenciada na vida adulta, mas tem papel decisivo na redução de riscos e na prevenção de doenças potencialmente graves”, ressalta Vitória.

  • Realizar acompanhamento ginecológico regular

O câncer do colo do útero ainda está entre os tumores mais frequentes entre mulheres brasileiras, embora seja amplamente prevenível quando há rastreamento adequado. Além disso, condições como síndrome dos ovários policísticos, endometriose e infecções ginecológicas podem impactar fertilidade, metabolismo e qualidade de vida.

O exame preventivo (Papanicolau) é geralmente indicado a partir do início da vida sexual e deve ser realizado com periodicidade definida pelo médico, após resultados iniciais normais. O procedimento permite identificar lesões precursoras do câncer do colo do útero, que podem ser tratadas antes de evoluírem.

Mulheres com ciclos muito irregulares, dor pélvica persistente, dificuldade para engravidar ou sintomas como corrimento frequente também devem buscar avaliação.

“O acompanhamento ginecológico não deve ocorrer apenas diante de sintomas. A consulta regular possibilita avaliar alterações hormonais, identificar fatores de risco e agir de forma preventiva, evitando a progressão de doenças”, explica a ginecologista.

  • Não normalizar alterações no ciclo menstrual

Irregularidades frequentes, dores intensas e sangramentos fora do padrão são frequentemente naturalizados, mas podem sinalizar desequilíbrios hormonais, distúrbios metabólicos ou doenças como miomas e endometriose.

Segundo Vitória, o ciclo menstrual funciona como um marcador da saúde geral da mulher, refletindo alterações hormonais e metabólicas. “Alterações persistentes não devem ser consideradas normais. O acompanhamento médico permite investigar causas e intervir precocemente, reduzindo complicações futuras”, destaca.

  • Monitorar a saúde do coração

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no mundo. Fatores como hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, obesidade e sedentarismo aumentam consideravelmente o risco.

Mulheres, especialmente após os 40 anos, devem realizar regularmente sua avaliação cardiológica de rotina com realização de exames, mensuração da pressão arterial e dos níveis de açúcar e colesterol entre outros parâmetros.

“Hábitos de vida saudáveis como atividade física regular, controle do stress, sono adequado, cessação do tabagismo além do controle da pressão arterial, colesterol e glicemia devem fazer parte da rotina de saúde da mulher. Esses fatores influenciam muito no risco de eventos cardiovasculares”, alerta o cardiologista Alexandre Galvão, do Hospital Samaritano Higienópolis.

  • Priorizar o autocuidado físico e emocional

Estresse crônico, privação de sono e sedentarismo estão associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e transtornos mentais. Mulheres frequentemente acumulam múltiplas jornadas, o que impacta diretamente a própria saúde. Por isso, sono adequado, alimentação equilibrada, prática de atividade física e atenção à saúde mental também fazem parte da prevenção.

“A sobrecarga da rotina faz com que muitas mulheres adiem consultas e exames. Colocar o próprio cuidado como prioridade é uma medida fundamental para garantir qualidade de vida e longevidade”, afirma a ginecologista.

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