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Saúde

Ozempic de graça? Paes promete remédio na rede pública do Rio; entenda riscos

“Não vai ter mais gordinho no Rio”, disse atual prefeito, que se confundiu em relação ao prazo de vencimento da patente do medicamento

Imagem da noticia Ozempic de graça? Paes promete remédio na rede pública do Rio; entenda riscos
Paes pretende implementar Ozempic na rede pública de saúde | Tomaz Silva/Agência Brasil
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O atual prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PSD), disse que pretende disponibilizar o medicamento Ozempic na rede pública de saúde do município, caso seja reeleito. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Extra, nesta quarta-feira (2).

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“Tomei muito Ozempic, aquele remedinho que está baixando o peso de todo mundo. Ele vai ter a patente aberta no ano que vem, vai poder ter o genérico e vou colocar na rede pública toda. Perdi 30 quilos com Ozempic. O Rio vai ser uma cidade que não vai ter mais gordinho, todo mundo vai tomar Ozempic nas clínicas da família”, declarou Eduardo Paes.

O prefeito disse que após tomar o medicamento "todas suas taxas baixaram" e ressaltou que sua proposta visa a saúde, e não a estética da população.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro disse que a implementação do medicamento com o mesmo principio ativo do Ozempic ocorrerá a partir do próximo possível mandato de Paes, mas não deu detalhes de quando seria exatamente.

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No entanto, ao contrário do que disse Paes, a previsão de vencimento da patente do medicamento, produzido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, ocorre em 2026 — outras farmacêuticas poderão comercializar medicamentos genéricos e similares a partir de então..

Medicamento tem formato de caneta injetável | Freepik
Medicamento tem formato de caneta injetável | Freepik

Existem riscos para a adoção em massa do medicamento?

A semaglutida, princípio ativo do Ozempic, age no cérebro, aumentando a sensação de saciedade e diminuindo a fome, o que colabora com o emagrecimento. Além disso, a droga age sob o pâncreas, melhorando o controle do diabetes e tem sido usada para o controle de obesidade. Para especialistas ouvidos pelo SBT News, o Ozempic, inclusive, representa uma "revolução" no tratamento da doença, que afeta um a cada quatro adultos brasileiros.

No entanto, vem sendo usada também por pessoas que não possuem indicação, o que vem gerando a falta do medicamento nas farmácias.

De acordo com o endocrinologista Paulo Rosenbaun, do Hospital Albert Einstein, o uso prolongado do Ozempic, pode trazer efeitos colaterais significativos, daí a necessidade de acompanhamento especializado. "Os indivíduos mais idosos, por exemplo, podem apresentar osteoporose associada à perda de peso", diz. Na maior parte dos casos, os efeitos colaterais estão ligados ao trato intestinal.

Rosenbaun afirma, porém, que o uso não deve ser descontinuado em caso de efeitos colaterais. Cabe ao especialista apresentar soluções e alternativas no decorrer do tratamento.

Segundo Fabio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), esses medicamentos foram feitos para terem uma utilização prolongada – mas isso reforça a necessidade de indicação e acompanhamento médicos adequados.

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) ressalta que "o uso indiscriminado [do Ozempic] pode aumentar o estigma sobre o tratamento em quem tem indicação médica real, além de expor pessoas sem necessidade aos riscos do medicamento".

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