Saúde

Homem descobre câncer no fígado após receber órgão com tumor em transplante

Após 13 anos na fila de espera, paciente recebeu fígado com tumor de doadora e agora enfrenta novo tratamento contra o câncer

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Simone Queiroz, Natalia Vieira, Marcia Barros
14/10/2025, 00:58 • Atualizado em 14/10/2025, 00:58
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Um homem de 58 anos viveu uma reviravolta após finalmente conseguir um transplante de fígado, depois de mais de uma década na fila de espera. O que parecia o fim de uma longa batalha contra a hepatite acabou se tornando o início de outra: ele foi diagnosticado com câncer no órgão transplantado.

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A história começou há mais de 20 anos, quando o paciente contraiu hepatite. A doença evoluiu e, após 13 anos na fila, ele foi submetido a um transplante de fígado pelo SUS, em julho de 2023.

O alívio durou pouco. Oito meses após a cirurgia, exames de controle mostraram alterações nas enzimas do fígado. Uma ressonância magnética revelou seis nódulos no novo órgão. Segundo a esposa, Márcia Helena, a biópsia de um dos nódulos confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma, um tipo de tumor maligno.

Análises de DNA comprovaram que o câncer era da doadora, uma mulher falecida. A amostra genética revelou genes femininos, o que confirmou a origem do tumor. Diante disso, o paciente precisou passar por um segundo transplante.

No Brasil, os doadores podem ser vivos — cedendo um rim, parte do fígado, medula ou pulmão — desde que o procedimento não comprometa a própria saúde. Também há os doadores falecidos, diagnosticados com morte encefálica, quando o cérebro não apresenta mais atividade, mas o coração ainda bate.

Antes da doação, é necessário haver compatibilidade entre doador e receptor, considerando tipo sanguíneo, tamanho e peso. Cada estado possui uma Central de Transplantes, ligada à Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelos exames laboratoriais. Os hospitais que realizam os transplantes não fazem essa checagem, e o processo precisa ser rápido.

O médico Rodrigo Vianna, diretor do Instituto de Transplantes de Miami — o maior centro de transplantes dos Estados Unidos — explica que os testes realizados incluem sorologias de doenças graves, como HIV e hepatite, além de culturas de sangue e exames de imagem.

“A gente faz sorologia de todas as doenças que podem ser transmitidas, que seriam graves. O sangue hoje dá uma ótima noção de transmissão. Também fazemos cultura de sangue e exames de imagem, que são fundamentais para a doação”, afirmou.

No Brasil, o exame de tomografia não é obrigatório antes do transplante. Segundo o médico, o histórico de saúde do doador é essencial para evitar riscos, mas pequenas lesões podem não ser detectadas.

“Um paciente com câncer não pode ser doador. Mas não é possível excluir totalmente a presença de micro metástases, células que já estejam circulando pelo sangue”, explica.

A probabilidade de um órgão com câncer ser transplantado é de um caso a cada cinco a dez mil doadores. “É extremamente raro, mas não impossível”, diz o especialista.

Mesmo após a remoção do primeiro fígado transplantado, o paciente — identificado como seu Geraldo — desenvolveu metástases nos pulmões.

“Eu faço o tratamento de quimioterapia. Pelo que o médico falou, vou ter que fazer para o resto da vida. Se eu parar, o câncer pode crescer no meu organismo”, contou.

Em casos como esse, todos os receptores de órgãos da mesma doadora precisam ser avisados e monitorados.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que os transplantes realizados no Brasil seguem protocolos de segurança e eficácia reconhecidos internacionalmente e que todos os doadores passam por exames clínicos e laboratoriais rigorosos.

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