Saúde

Homem descobre câncer no fígado após receber órgão com tumor em transplante

Após 13 anos na fila de espera, paciente recebeu fígado com tumor de doadora e agora enfrenta novo tratamento contra o câncer

S
N
M
Simone Queiroz, Natalia Vieira, Marcia Barros
14/10/2025, 00:58 • Atualizado em 14/10/2025, 00:58
compartilhar

Um homem de 58 anos viveu uma reviravolta após finalmente conseguir um transplante de fígado, depois de mais de uma década na fila de espera. O que parecia o fim de uma longa batalha contra a hepatite acabou se tornando o início de outra: ele foi diagnosticado com câncer no órgão transplantado.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A história começou há mais de 20 anos, quando o paciente contraiu hepatite. A doença evoluiu e, após 13 anos na fila, ele foi submetido a um transplante de fígado pelo SUS, em julho de 2023.

O alívio durou pouco. Oito meses após a cirurgia, exames de controle mostraram alterações nas enzimas do fígado. Uma ressonância magnética revelou seis nódulos no novo órgão. Segundo a esposa, Márcia Helena, a biópsia de um dos nódulos confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma, um tipo de tumor maligno.

Análises de DNA comprovaram que o câncer era da doadora, uma mulher falecida. A amostra genética revelou genes femininos, o que confirmou a origem do tumor. Diante disso, o paciente precisou passar por um segundo transplante.

No Brasil, os doadores podem ser vivos — cedendo um rim, parte do fígado, medula ou pulmão — desde que o procedimento não comprometa a própria saúde. Também há os doadores falecidos, diagnosticados com morte encefálica, quando o cérebro não apresenta mais atividade, mas o coração ainda bate.

Antes da doação, é necessário haver compatibilidade entre doador e receptor, considerando tipo sanguíneo, tamanho e peso. Cada estado possui uma Central de Transplantes, ligada à Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelos exames laboratoriais. Os hospitais que realizam os transplantes não fazem essa checagem, e o processo precisa ser rápido.

O médico Rodrigo Vianna, diretor do Instituto de Transplantes de Miami — o maior centro de transplantes dos Estados Unidos — explica que os testes realizados incluem sorologias de doenças graves, como HIV e hepatite, além de culturas de sangue e exames de imagem.

“A gente faz sorologia de todas as doenças que podem ser transmitidas, que seriam graves. O sangue hoje dá uma ótima noção de transmissão. Também fazemos cultura de sangue e exames de imagem, que são fundamentais para a doação”, afirmou.

No Brasil, o exame de tomografia não é obrigatório antes do transplante. Segundo o médico, o histórico de saúde do doador é essencial para evitar riscos, mas pequenas lesões podem não ser detectadas.

“Um paciente com câncer não pode ser doador. Mas não é possível excluir totalmente a presença de micro metástases, células que já estejam circulando pelo sangue”, explica.

A probabilidade de um órgão com câncer ser transplantado é de um caso a cada cinco a dez mil doadores. “É extremamente raro, mas não impossível”, diz o especialista.

Mesmo após a remoção do primeiro fígado transplantado, o paciente — identificado como seu Geraldo — desenvolveu metástases nos pulmões.

“Eu faço o tratamento de quimioterapia. Pelo que o médico falou, vou ter que fazer para o resto da vida. Se eu parar, o câncer pode crescer no meu organismo”, contou.

Em casos como esse, todos os receptores de órgãos da mesma doadora precisam ser avisados e monitorados.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que os transplantes realizados no Brasil seguem protocolos de segurança e eficácia reconhecidos internacionalmente e que todos os doadores passam por exames clínicos e laboratoriais rigorosos.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Frio perde intensidade e calor volta ao centro-sul

Frio perde intensidade e calor volta ao centro-sul

Imagem da notícia: Leilão recorde: T.Rex é vendido por US$ 50 milhões

Leilão recorde: T.Rex é vendido por US$ 50 milhões

Imagem da notícia: Quem perde com o possível 'tarifaço' dos EUA ao Brasil?

Quem perde com o possível 'tarifaço' dos EUA ao Brasil?

Imagem da notícia: Malvinas: a rivalidade que marcou Argentina x Inglaterra

Malvinas: a rivalidade que marcou Argentina x Inglaterra

Imagem da notícia: Frio perde intensidade e calor volta ao centro-sul

Frio perde intensidade e calor volta ao centro-sul

Imagem da notícia: Leilão recorde: T.Rex é vendido por US$ 50 milhões

Leilão recorde: T.Rex é vendido por US$ 50 milhões

Imagem da notícia: Quem perde com o possível 'tarifaço' dos EUA ao Brasil?

Quem perde com o possível 'tarifaço' dos EUA ao Brasil?

Imagem da notícia: Malvinas: a rivalidade que marcou Argentina x Inglaterra

Malvinas: a rivalidade que marcou Argentina x Inglaterra

Últimas notícias

Brasil poderá se tornar o 2º país mais taxado pelos EUA

Levantamento feito por meio do Global Trade Alert (GTA) mostra que país ficaria atrás apenas da China, se o tarifaço for confirmado nesta quarta-feira (15)

"Cashback": Receita paga lote especial de restituição do IR

Benefício vale para quem não era obrigado a declarar, mas teve desconto do imposto em 2024

EUA decidem nesta quarta (15) sobre novas tarifas ao Brasil

Governo acusa o país de promover práticas desleais e prejudiciais ao comércio norte-americano; taxa pode chegar a 37,5%

Irã diz que Ormuz seguirá fechado até fim de ataques dos EUA

Regime também ameaçou fechar outras rotas de importação de interesse norte-americano

Novo lote do PIS/Pasep 2026 é liberado; veja quem recebe

Abono salarial contempla trabalhadores de iniciativa privada e servidores públicos

Trump ameaça atacar usinas e pontes do Irã na próxima semana

Presidente afirma que novos alvos serão atingidos caso Teerã não retome negociações; Convenções de Genebra proíbem ataques a estruturas essenciais para civis