Saúde

Esclerose Múltipla: diagnóstico precoce pode impedir evolução da doença; como identificar?

Tratamento de esclerose vive uma "revolução", mas falta de acesso à população; veja mitos sobre a doença

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Wagner Lauria Jr.
30/08/2024, 16:35 • Atualizado em 31/08/2024, 12:42
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Ressonância Magnética é uma das formas complementares de diagnóstico da doença | Freepik

Ressonância Magnética é uma das formas complementares de diagnóstico da doença | Freepik

Esta sexta-feira, dia 30 de agosto, é o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. A doença neurológica crônica e autoimune que atinge ao menos 40 mil brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), afeta o Sistema Nervoso Central (SNC) do paciente, no momento em que a camada protetora que cobre as fibras nervosas chamada mielina é atacada, de forma equivocada, pelo sistema imunológico.

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Com causas que vão desde a falta de exposição ao sol até poluição e tabagismo, com influências genéticas — países e regiões mais próximas da linha do equador tendem a ter menor incidência da doença — esse dano à mielina interrompe a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo, e faz com que os pacientes de esclerose passem a sentir uma ampla gama de sintomas, segundo o neurologista Guilherme Olival, diretor médico da ABEM.

Ele elenca os principais: fadiga extrema, problemas de coordenação e equilíbrio, perda de força e formigamento em uma região do corpo.

Na avaliação do especialista, apesar da doença não ter cura, é essencial procurar ajuda médica ao menor sinal dos sintomas no corpo para que ela seja controlada.

"Tem um paciente meu que permanece com a doença estável há 14 anos. Sem nenhuma atividade da doença, mas apenas ficando uma sequela, como a visão dupla ao olhar para o extremo esquerdo", explica.

O diagnóstico da doença é feito por exame neurológico, ressonância magnética e extração de liquor.

Consulta com o médico é um importante passo para o diagnóstico | Freepik
Consulta com o médico é um importante passo para o diagnóstico | Freepik

Tratamentos de esclerose vivem uma "revolução", mas falta acesso à população

Olival aponta que o Brasil vive uma revolução no tratamento de esclerose múltipla desde 2011, quando partimos para tratamentos de alta eficácia. No entanto, ainda falta acesso à parte da população.

"A gente tem alguns medicamentos que têm a capacidade de controlar aproximadamente 90% dos casos. Hoje a esclerose múltipla é considerada a doença neurológica que a medicina tem a maior intervenção e mudança da evolução natural, uma dificuldade que a gente enfrenta ainda é o acesso a esses remédios", ressalta.

Alguns medicamentos podem custar até R$ 60 mil por mês. Eles são extremamente eficazes no tratamento da doença e, ainda que estejam no rol Agência Nacional de Saúde (ANS), não são fornecidos por alguns planos de saúde. Além disso, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) sofrem com a falta do medicamento em alguns casos.

Segundo o especialista, os medicamentos mais indicados, conhecidos como de alta potência, são: Mavenclad, Ocrevus, Tysabri, Kesimpta e Lemtrada.

Lemtrada custa quase R$ 60 mil e pode ser fornecido pelo SUS, segundo o especialista | Freepik
Lemtrada custa quase R$ 60 mil e pode ser fornecido pelo SUS, segundo o especialista | Freepik

Metade dos pacientes evolui para formas mais graves da doença

De acordo com o Hospital Albert Einstein, 85% dos casos são relacionado ao tipo de esclerose múltipla conhecida como surto-remissão ou remitente-recorrente (EMRR), caracterizada pelo ocorrência dos surtos e com chances de melhora após o tratamento.

Segundo a instituição, metade desses pacientes evoluiu para a segunda forma da doença, conhecida como secundariamente progressiva (EMSP), onde os pacientes não se recuperam mais totalmente dos surtos e sequelas mais graves como perda visual definitiva ou maior dificuldade para andar.

Há ainda outros dois tipos de esclerose: a forma progressiva primária (EMPP), com a piora gradativa dos surtos e progressiva com surtos (EMPS), que tem comprometimento mais precoce dos axônios, responsável por condução de informações dos neurônios para outras células, como as nervosas e musculares, o que causa a atrofia do corpo.

Mitos sobre a esclerose múltipla

Maior incidência entre pessoas mais velhas

Segundo o especialista, um dos maiores mitos da doença é que esclerose é uma "doença de velho". Na verdade, o início habitual da doença acontece entre os 20 e 40 anos.

Não pode fazer atividade física

A atividade física, na verdade, ajuda no tratamento da doença, segundo o especialista. Segundo uma revisão de vários artigos científicos intitulada "Exercício Físico e Esclerose Múltipla", feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), os benefícios da prática regular de exercícios físicos para pessoas diagnosticadas com Esclerose Múltipla é igual àquelas sem o diagnóstico: promove a melhora na qualidade de vida e na mobilidade, reduz a fadiga, além de causar impactos positivos na saúde mental, como redução da depressão e ansiedade.

Inclusive, há personalidades, como atleta paralímpica Beth Gomes, que já bateu 35 recordes mundiais mesmo com o diagnóstico.

Betty Gomes | CPI
Betty Gomes | CPI

Doença degenerativa

Olival ressalta que as pessoas associam a esclerose múltipla à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). "As pessoas pensam, tem esclerose múltipla vai morrer, vai ficar atrofiado, que vai ter demência e ficar acamado... Isso até pode acontecer, mas não é a realidade do paciente que recebe um tratamento adequado hoje".

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