Saúde

Edu Guedes retirou cauda do pâncreas e baço em cirurgia; entenda procedimento

Operação é indicada quando tumor é encontrado na parte final do pâncreas, a fim de evitar que a doença se espalhe

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Wagner Lauria Jr.
Apresentador e chef de cozinha fala pela primeira vez após cirurgia | Reprodução/Instagram

Apresentador e chef de cozinha fala pela primeira vez após cirurgia | Reprodução/Instagram

O apresentador Edu Guedes falou pela primeira vez nesta quarta-feira (9) após ser submetido a uma pancreatectomia corpo-caudal para retirada de um tumor de 2 centímetros no pâncreas. O procedimento também incluiu a remoção do baço (esplenectomia).

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O diagnóstico aconteceu após uma crise renal. Enquanto tratava a condição causada por cálculos, os exames de imagem revelaram não apenas a pedra de 1,6 cm que precisou ser retirada, mas também o tumor pancreático. Outros cálculos renais também foram identificados durante os exames médicos.

Segundo o apresentador, foi justamente esse episódio inicial de cálculo renal, somado à investigação médica, que acabou salvando sua vida.

“As pedras, que pareciam ser a pior coisa do mundo, salvaram a minha vida”, disse o apresentador em vídeo publicado nas redes sociais.

O que é a cirurgia realizada?

A pancreatectomia corpo-caudal com esplenectomia é indicada quando o tumor está restrito à parte final do pâncreas, chamada corpo e cauda, e ainda não atingiu vasos sanguíneos ou órgãos próximos. Por causa da proximidade e da função compartilhada entre o pâncreas e o baço, ambos são retirados para evitar riscos de disseminação da doença.

Segundo Murillo Utrini, cirurgião geral e do aparelho digestivo e professor assistente no Hospital das Clínicas da Unicamp, a esplenectomia (retirada do baço) pode ou não ser necessária, a depender do tipo da doença.

"O pâncreas é tradicionalmente dividido em 3 partes, cabeça, corpo e cauda pancreáticos, separados pela veia que vai para o fígado (veia porta). À parte do pâncreas à esquerda dessa veia chamamos de corpo e cauda pancreática", explica.

A cirurgia pode ser realizada por via aberta ou robótica, com duração média de três a seis horas, que foi o caso de Guedes. Após o procedimento, o paciente é monitorado na UTI e passa por uma série de cuidados no pós-operatório, especialmente por causa da retirada do baço, órgão importante para a imunidade (saiba mais detalhes abaixo).

Quando tumor é retirado o paciente está curado?

Apesar de a cirurgia ser essencial, é preciso ter cautela ao falar em cura. Segundo Murillo, o tratamento pode incluir quimioterapia e radioterapia, dependendo do estágio da doença.

Além disso, após a retirada do tumor, o paciente pode precisar de suporte com enzimas digestivas e monitoramento da glicose, já que o pâncreas também produz insulina.

No caso da retirada do baço, pode ser indicada a aplicação de algumas vacinas específicas, como pneumococo, meningococo e Haemophilus influenzae tipo b (Hib), além de ser necessário adotar uma alimentação sem alimentos ricos em açúcar e gordura.

Câncer de pâncreas: quais são os sinais de atenção?

O câncer de pâncreas é considerado um dos mais agressivos, em parte devido ao diagnóstico tardio. Em muitos casos, segundo Murillo, os sintomas são inespecíficos.

"Geralmente, o que pode chamar a atenção é a icterícia (olhos amarelados) ou dor epigástrica (abdômen acima do umbigo) a depender de qual região do pâncreas foi acometida", aponta.

Segundo Murillo, frequentemente o tumor é descoberto de forma incidental, como ocorreu com Edu Guedes.

"Apesar de os tumores pancreáticos não serem muito frequentes, o quarto mais frequente do aparelho digestivo, frequentemente os 'descobrimos' em exames voltados para outro objetivo", aponta.

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