Saúde

Câncer na terceira idade: cuidado integrado pode ajudar a vencer doença

Avanços da oncogeriatria e equipes multidisciplinares demonstram que diagnóstico tardio não é sentença

Imagem da noticia Câncer na terceira idade: cuidado integrado pode ajudar a vencer doença
Câncer na terceira idade: cuidado integrado pode ajudar a vencer doença | Freepik

A população acima de 60 anos representa 70% dos diagnósticos de câncer no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Com isso, a oncogeriatria e o cuidado integrado ganham papel central nos tratamentos.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Os dados reacendem o debate sobre estratégias que garantam não apenas sobrevida, mas qualidade de vida aos pacientes idosos, como o modelo multidisciplinar: quando oncologistas, geriatras, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais avaliam o paciente de forma global, considerando aspectos físicos, emocionais, funcionais, cognitivos e sociais para construir planos terapêuticos individualizados.

“O idoso com câncer geralmente convive com outras comorbidades, como hipertensão, diabetes e limitações funcionais. Por isso, o acompanhamento integrado é fundamental para garantir segurança, adesão ao tratamento e mais bem-estar ao longo de todo o processo”, afirma o oncologista André Luiz Pedrini Tófoli, da MedSênior.

Uma pesquisa brasileira apresentada no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) acompanhou 41 pacientes com média de idade de 70 anos que fizeram exercícios aeróbicos e de resistência por 12 semanas. Os participantes apresentaram redução significativa nos níveis de depressão e ansiedade, além de melhora do condicionamento físico e redução da dor, fadiga e náusea.

“Os estudos quebram o antigo paradigma de que o paciente com câncer deve apenas descansar. A atividade física, quando orientada e monitorada pelo médico, pode reduzir efeitos adversos do tratamento, independentemente da idade ou do estágio da doença”, ressalta Tófoli.

A socialização também é apontada como pilar do cuidado. O especialista lembra que a solidão é frequente entre idosos em tratamento oncológico e incentiva familiares e amigos a promoverem atividades de convívio que estimulem interação e hábitos saudáveis: jogos, leituras e outras práticas cognitivas podem manter a mente ativa e melhorar o enfrentamento da doença.

A nutrição e a saúde emocional completam o circuito do cuidado integrado. Para a nutricionista da MedSênior, Giselli Prucoli, a terapia nutricional adequada evita perda de peso excessiva, fortalece o sistema imunológico e ajuda a controlar efeitos colaterais, reduzindo a necessidade de suspender tratamentos. Já o suporte psicológico auxilia no enfrentamento de ansiedade, depressão e na adaptação às mudanças impostas pela doença e pelos tratamentos.

Os especialistas defendem que políticas públicas e serviços de saúde ampliem o acesso à oncogeriatria e a programas multidisciplinares, garantindo avaliação funcional e intervenções precoces. O objetivo, dizem, é transformar um diagnóstico que antes era sinônimo de limitações em uma etapa da vida onde é possível tratar, conviver e, muitas vezes, vencer o câncer com atendimento humanizado e integrado.

Assuntos relacionados

Saúde
Câncer
Idosos

Últimas Notícias