Andropausa existe? Saiba quais são os sinais que muitos ignoram e como virar o jogo ao envelhecer
Condição é causada por queda hormonal progressiva, como a testosterona


Brazil Health
Por muito tempo, o envelhecimento masculino foi encarado como um processo natural, inevitável e, muitas vezes, silencioso. No entanto, avanços da medicina e da ciência da longevidade mostram que mudanças hormonais progressivas, especialmente a queda da testosterona, têm impacto direto na saúde física, emocional e metabólica do homem ao longo dos anos. Esse processo é conhecido como andropausa – ou, de forma mais precisa, deficiência androgênica do envelhecimento masculino.
Diferentemente da menopausa feminina, a andropausa não ocorre de maneira abrupta nem apresenta um marco claro. Por isso, seus sinais costumam ser subestimados ou confundidos com estresse, excesso de trabalho ou simplesmente "coisas da idade".
O que é a andropausa e por que ela passa despercebida
A testosterona começa a diminuir de forma gradual a partir dos 40 anos, com uma redução média de cerca de 1% ao ano. Esse declínio pode ser acelerado por fatores como sedentarismo, obesidade, privação de sono, estresse crônico e doenças metabólicas.
Os sintomas são variados e nem sempre óbvios:
· Físicos: perda de massa e força muscular, aumento de gordura abdominal, fadiga persistente e redução da densidade óssea.
· Emocionais e cognitivos: queda de motivação, irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de concentração e sensação de menor clareza mental.
· Sexuais: diminuição da libido, redução da frequência de ereções espontâneas e queda do desempenho sexual.
Como esses sinais surgem de forma lenta e progressiva, muitos homens convivem com eles por anos sem buscar avaliação médica.
Muito além da libido: a testosterona como hormônio da saúde global
Reduzir a testosterona apenas à função sexual é um erro comum. Esse hormônio exerce papel fundamental na regulação da energia, do metabolismo e da composição corporal.
Níveis adequados de testosterona estão associados a:
· Maior vitalidade física e mental.
· Preservação da massa muscular e controle da gordura visceral.
· Melhor sensibilidade à insulina e equilíbrio metabólico.
· Estabilidade emocional, autoestima e bem-estar.
Por outro lado, a deficiência androgênica tem sido associada ao aumento do risco de síndrome metabólica, diabetes tipo 2, sarcopenia, osteoporose e doenças cardiovasculares, especialmente quando somada a hábitos de vida pouco saudáveis.
Diagnóstico e cuidado contínuo: uma abordagem individualizada
O diagnóstico da andropausa não deve ser feito apenas com base em sintomas isolados ou em um único exame laboratorial. Ele exige uma avaliação médica completa e personalizada, que inclua:
· Dosagem de testosterona total e livre, preferencialmente pela manhã.
· Avaliação de outros marcadores hormonais e metabólicos.
· Análise da composição corporal, sono, estresse e estilo de vida.
O cuidado vai muito além da reposição hormonal
Mudanças no estilo de vida são pilares fundamentais:
· Exercícios de força e atividade física regular.
· Alimentação equilibrada e anti-inflamatória.
· Sono de qualidade e manejo do estresse.
Quando bem indicada, a terapia de reposição de testosterona pode ser uma ferramenta segura e eficaz, desde que realizada com critério, acompanhamento médico e monitorização contínua.
Envelhecer melhor é possível
Reconhecer a andropausa não significa medicalizar o envelhecimento, mas sim compreender as transformações naturais do corpo masculino e agir de forma preventiva. O objetivo não é apenas viver mais, mas viver com energia, autonomia e qualidade de vida.
Cuidar da saúde hormonal é parte essencial de uma longevidade ativa, funcional e plena.
* Filippo Pedrinola é endocrinologista e head nacional de Endocrinologia da Brazil Health









