A dieta de João Fonseca e o papel dos carboidratos na elite
O nutricionista Michel Haddad explica por que a energia do carboidrato é decisiva para aguentar partidas longas e manter a potência do primeiro ao último ponto
Brazil Health
Carioca de 19 anos derrotou o norueguês por 3 sets a 1 | Teresa Suarez/EFE/EPA
Analisando a rotina alimentar de Fonseca, chama atenção não a sofisticação dos alimentos, mas a inteligência e a consistência com que ele se alimenta ao longo do dia. Sem fórmulas mágicas, sem suplementos mirabolantes. O básico, muito bem feito.
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O dia começa com frutas e ovos, uma combinação que oferece energia de rápida absorção, proteínas para os músculos, vitaminas e minerais importantes. Antes de entrar em quadra, ele consome banana e suco de beterraba. A banana é uma ótima fonte de carboidratos de fácil digestão. Já o suco de beterraba contém nitratos, substâncias que o organismo converte em óxido nítrico, um composto que melhora o fluxo sanguíneo e pode aumentar a eficiência muscular durante o esforço.
Durante os treinos, bananas e géis de carboidrato garantem energia contínua e hidratação adequada. No pós-treino da manhã, Fonseca consome de quatro a cinco tâmaras, uma estratégia eficiente para repor rapidamente os estoques de energia. Para atletas que treinam mais de uma vez por dia, essa reposição é fundamental: em muitos casos, o carboidrato se torna até mais urgente do que a proteína entre as sessões, especialmente quando uma refeição mais completa virá logo em seguida.
Antes do treino da tarde, mais uma dose de suco de beterraba. No pós-treino, maltodextrina e uvas-passas seguem a mesma lógica das tâmaras: fornecer energia de forma rápida para acelerar a recuperação. Ao chegar em casa, uma refeição simples de iogurte com aveia fecha o dia com proteínas, carboidratos, fibras e nutrientes que apoiam a recuperação e a saúde intestinal.
O que mais impressiona não é apenas a escolha dos alimentos, mas a frequência e a consistência com que ele se alimenta, além da maturidade para um jovem de 19 anos, que já tem a mentalidade necessária para um atleta que quer chegar ao topo. Praticamente cada refeição tem uma função clara. Esse padrão é exatamente o que se vê nos grandes atletas do tênis mundial.
Para entender por que essa estratégia faz tanto sentido, é preciso compreender o que acontece com o corpo durante uma partida longa. O tênis é um esporte que mistura momentos de pausa com explosões de esforço máximo: arrancadas, mudanças rápidas de direção, golpes em alta potência. Toda essa intensidade depende fundamentalmente dos carboidratos armazenados nos músculos e no fígado.
Em torneios como os Grand Slams, onde partidas de quatro ou cinco horas são comuns, à medida que o jogo avança, as reservas de energia vão diminuindo. Quando elas ficam insuficientes, o atleta começa a mostrar sinais claros de cansaço: fica mais lento, perde potência nos golpes, comete mais erros e demora mais para tomar decisões. O corpo ainda está em quadra, mas o rendimento já não é o mesmo.
É por isso que os carboidratos são considerados o principal combustível para tenistas de alto nível. As recomendações atuais da nutrição esportiva indicam que atletas em exercícios prolongados e intensos devem consumir entre 60 e 90 gramas de carboidrato por hora. Em uma partida de cinco horas, isso pode representar até 450 gramas ao longo do jogo.
É justamente por isso que vemos Fonseca consumindo bananas, géis, frutas secas e bebidas com carboidratos antes e durante as partidas. Não se trata de capricho ou modismo: são ferramentas concretas para preservar a energia, manter a força muscular e sustentar a intensidade do primeiro ao último ponto.
Em torneios com jogos longos e desgastantes, como os Grand Slams, o estoque de energia e a energia disponível são de extrema importância e, em um momento decisivo, podem decidir a partida.
João Fonseca mostra, mesmo tão jovem, uma mentalidade de atleta de elite, como Rafael Nadal ou Novak Djokovic, com preocupação e muito engajamento com a nutrição, mantendo constância e disciplina. Não é garantia de sucesso, mas certamente ajuda a explicar por que ele já está entre os melhores do mundo.
Michel Haddad: CRN10 - 8727
Nutricionista
A dieta de João Fonseca e o papel dos carboidratos na eliteO nutricionista Michel Haddad explica por que a energia do carboidrato é decisiva para aguentar partidas longas e manter a potência do primeiro ao último pontoSaúde2026-06-05T11:48:41.513ZAnalisando a rotina alimentar de Fonseca, chama atenção não a sofisticação dos alimentos, mas a inteligência e a consistência com que ele se alimenta ao longo do dia. Sem fórmulas mágicas, sem suplementos mirabolantes. O básico, muito bem feito. O que ele come ao longo do dia O dia começa com frutas e ovos, uma combinação que oferece energia de rápida absorção, proteínas para os músculos, vitaminas e minerais importantes. Antes de entrar em quadra, ele consome banana e suco de beterraba. A banana é uma ótima fonte de carboidratos de fácil digestão. Já o suco de beterraba contém nitratos, substâncias que o organismo converte em óxido nítrico, um composto que melhora o fluxo sanguíneo e pode aumentar a eficiência muscular durante o esforço. + Durante os treinos, bananas e géis de carboidrato garantem energia contínua e hidratação adequada. No pós-treino da manhã, Fonseca consome de quatro a cinco tâmaras, uma estratégia eficiente para repor rapidamente os estoques de energia. Para atletas que treinam mais de uma vez por dia, essa reposição é fundamental: em muitos casos, o carboidrato se torna até mais urgente do que a proteína entre as sessões, especialmente quando uma refeição mais completa virá logo em seguida. Antes do treino da tarde, mais uma dose de suco de beterraba. No pós-treino, maltodextrina e uvas-passas seguem a mesma lógica das tâmaras: fornecer energia de forma rápida para acelerar a recuperação. Ao chegar em casa, uma refeição simples de iogurte com aveia fecha o dia com proteínas, carboidratos, fibras e nutrientes que apoiam a recuperação e a saúde intestinal. O que mais impressiona não é apenas a escolha dos alimentos, mas a frequência e a consistência com que ele se alimenta, além da maturidade para um jovem de 19 anos, que já tem a mentalidade necessária para um atleta que quer chegar ao topo. Praticamente cada refeição tem uma função clara. Esse padrão é exatamente o que se vê nos grandes atletas do tênis mundial. + Por que carboidrato faz tanta diferença no tênis Para entender por que essa estratégia faz tanto sentido, é preciso compreender o que acontece com o corpo durante uma partida longa. O tênis é um esporte que mistura momentos de pausa com explosões de esforço máximo: arrancadas, mudanças rápidas de direção, golpes em alta potência. Toda essa intensidade depende fundamentalmente dos carboidratos armazenados nos músculos e no fígado. Em torneios como os Grand Slams, onde partidas de quatro ou cinco horas são comuns, à medida que o jogo avança, as reservas de energia vão diminuindo. Quando elas ficam insuficientes, o atleta começa a mostrar sinais claros de cansaço: fica mais lento, perde potência nos golpes, comete mais erros e demora mais para tomar decisões. O corpo ainda está em quadra, mas o rendimento já não é o mesmo. É por isso que os carboidratos são considerados o principal combustível para tenistas de alto nível. As recomendações atuais da nutrição esportiva indicam que atletas em exercícios prolongados e intensos devem consumir entre 60 e 90 gramas de carboidrato por hora. Em uma partida de cinco horas, isso pode representar até 450 gramas ao longo do jogo. + O que isso explica sobre a performance do Fonseca É justamente por isso que vemos Fonseca consumindo bananas, géis, frutas secas e bebidas com carboidratos antes e durante as partidas. Não se trata de capricho ou modismo: são ferramentas concretas para preservar a energia, manter a força muscular e sustentar a intensidade do primeiro ao último ponto. Em torneios com jogos longos e desgastantes, como os Grand Slams, o estoque de energia e a energia disponível são de extrema importância e, em um momento decisivo, podem decidir a partida. João Fonseca mostra, mesmo tão jovem, uma mentalidade de atleta de elite, como Rafael Nadal ou Novak Djokovic, com preocupação e muito engajamento com a nutrição, mantendo constância e disciplina. Não é garantia de sucesso, mas certamente ajuda a explicar por que ele já está entre os melhores do mundo. Michel Haddad: CRN10 - 8727 NutricionistaSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/a-dieta-de-joao-fonseca-e-o-papel-dos-carboidratos-na-elite