Mais pessoas poderão fazer cirurgia bariátrica no Brasil; veja as novas regras do CFM
Ampliação pode beneficiar pacientes que, mesmo com IMC abaixo dos critérios anteriores, sofrem com doenças agravadas pela obesidade
W
Wagner Lauria Jr.
20/05/2025, 15:23 • Atualizado em 21/05/2025, 01:04
compartilhar
O Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou, nesta terça-feira (20), a recomendação para quem pode fazer cirurgia bariátrica e metabólica no Brasil.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Com a resolução, pacientes com menor índice de massa corporal (IMC) e adolescentes a partir dos 14 anos, em situações específicas, entrarão na lista (veja mais detalhes abaixo). A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Segundo o presidente do CFM, José Hiran Gallo, as alterações foram baseadas em "pesquisas recentes e nas melhores evidências científicas", que comprovaram a eficácia e segurança da cirurgia em um público mais amplo. O Conselho afirma que a norma é resultado da análise de diversos estudos e da contribuição das principais sociedades médicas envolvidas.
Até então, a cirurgia bariátrica era indicada apenas para adultos com IMC igual ou superior a 40 kg/m² (obesidade classe 3), ou a partir de 35 kg/m² (classe 2) quando havia doenças associadas, como diabetes tipo 2 ou hipertensão. Com a nova diretriz, passam a ser elegíveis também pacientes com obesidade classe 1 (IMC entre 30 e 35 kg/m²), desde que apresentem comorbidades específicas, como:
Diabetes tipo 2;
Doença cardiovascular grave com lesão de órgão-alvo;
Doença renal crônica precoce em diabéticos;
Apneia do sono grave;
Doença hepática gordurosa não alcoólica com fibrose;
Indicação de transplante;
Refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica;
Osteoartrose grave.
Para a endocrinologista e Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Daniela Fernandes, a mudança é positiva, tanto em relação as comorbidades associados à obesidade, como da ampliação da faixa-etária elegível.
"A cirurgia bariátrica pode salvar vidas, principalmente quando o paciente apresenta as comorbidades graves associadas à obesidade", pontua.
Fernandes também pontua que a nova resolução suaviza o critério de idade e período de tempo convivendo com a doença relacionada.
"Pelas regras anteriores, só poderiam se submeter à cirurgia pacientes convivendo 10 anos com diabetes; que possuíssem mais de 30 anos e menos de 70 e que fossem acompanhadas por um endocrinologista por mais de dois anos", explica.
De acordo com a nutróloga Mariana Brito, "quando bem indicada, a bariátrica não é uma “solução mágica”, mas ajuda o corpo a responder melhor ao tratamento das doenças".
Desde 2017, pacientes com diabetes tipo 2 e IMC a partir de 30 kg/m² já podiam realizar a cirurgia, mas com restrições rígidas, como ter mais de 10 anos de diagnóstico e estar entre 30 e 70 anos. Agora, essas exigências foram eliminadas. Com a nova norma, qualquer paciente com mais de 18 anos e diagnóstico de diabetes tipo 2 poderá ser submetido à cirurgia, desde que atenda aos critérios clínicos necessários.
Atenção redobrada em casos extremos
Para pacientes com obesidade extrema — aqueles com IMC igual ou superior a 60 kg/m² — a resolução determina uma avaliação criteriosa da estrutura hospitalar e da qualificação da equipe multidisciplinar responsável, devido ao alto risco de complicações nesse grupo.
Novas diretrizes para adolescentes
A resolução também atualiza os critérios para adolescentes. Jovens com 16 anos ou mais passam a seguir os mesmos parâmetros dos adultos, desde que apresentem maturidade psicológica e física, capacidade de decisão, adesão às mudanças no estilo de vida e tenham suporte familiar adequado.
Para adolescentes entre 14 e 16 anos, a cirurgia deixa de estar restrita a protocolos de pesquisa e poderá ser realizada em casos de obesidade grave (IMC igual ou superior a 40 kg/m²) acompanhada de complicações clínicas com risco à vida.
Mais pessoas poderão fazer cirurgia bariátrica no Brasil; veja as novas regras do CFMAmpliação pode beneficiar pacientes que, mesmo com IMC abaixo dos critérios anteriores, sofrem com doenças agravadas pela obesidadeSaúde2025-05-20T15:23:23.108ZO Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou, nesta terça-feira (20), a recomendação para quem pode fazer cirurgia bariátrica e metabólica no Brasil. Com a resolução, pacientes com menor índice de massa corporal (IMC) e adolescentes a partir dos 14 anos, em situações específicas, entrarão na lista (veja mais detalhes abaixo). A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). Segundo o presidente do CFM, José Hiran Gallo, as alterações foram baseadas em "pesquisas recentes e nas melhores evidências científicas", que comprovaram a eficácia e segurança da cirurgia em um público mais amplo. O Conselho afirma que a norma é resultado da análise de diversos estudos e da contribuição das principais sociedades médicas envolvidas. Mais pessoas poderão ser beneficiadas Até então, a cirurgia bariátrica era indicada apenas para adultos com IMC igual ou superior a 40 kg/m² (obesidade classe 3), ou a partir de 35 kg/m² (classe 2) quando havia doenças associadas, como diabetes tipo 2 ou hipertensão. Com a nova diretriz, passam a ser elegíveis também pacientes com obesidade classe 1 (IMC entre 30 e 35 kg/m²), desde que apresentem comorbidades específicas, como: Para a endocrinologista e Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Daniela Fernandes, a mudança é positiva, tanto em relação as comorbidades associados à obesidade, como da ampliação da faixa-etária elegível. "A cirurgia bariátrica pode salvar vidas, principalmente quando o paciente apresenta as comorbidades graves associadas à obesidade", pontua. Fernandes também pontua que a nova resolução suaviza o critério de idade e período de tempo convivendo com a doença relacionada. "Pelas regras anteriores, só poderiam se submeter à cirurgia pacientes convivendo 10 anos com diabetes; que possuíssem mais de 30 anos e menos de 70 e que fossem acompanhadas por um endocrinologista por mais de dois anos", explica. De acordo com a nutróloga Mariana Brito, "quando bem indicada, a bariátrica não é uma “solução mágica”, mas ajuda o corpo a responder melhor ao tratamento das doenças". Uma pesquisa da Universidade de Lund, na Suécia, divulgada neste mês no Congresso Europeu sobre Obesidade, Mudanças para pacientes com diabetes tipo 2 Desde 2017, pacientes com diabetes tipo 2 e IMC a partir de 30 kg/m² já podiam realizar a cirurgia, mas com restrições rígidas, como ter mais de 10 anos de diagnóstico e estar entre 30 e 70 anos. Agora, essas exigências foram eliminadas. Com a nova norma, qualquer paciente com mais de 18 anos e diagnóstico de diabetes tipo 2 poderá ser submetido à cirurgia, desde que atenda aos critérios clínicos necessários. Atenção redobrada em casos extremos Para pacientes com obesidade extrema — aqueles com IMC igual ou superior a 60 kg/m² — a resolução determina uma avaliação criteriosa da estrutura hospitalar e da qualificação da equipe multidisciplinar responsável, devido ao alto risco de complicações nesse grupo. Novas diretrizes para adolescentes A resolução também atualiza os critérios para adolescentes. Jovens com 16 anos ou mais passam a seguir os mesmos parâmetros dos adultos, desde que apresentem maturidade psicológica e física, capacidade de decisão, adesão às mudanças no estilo de vida e tenham suporte familiar adequado. Para adolescentes entre 14 e 16 anos, a cirurgia deixa de estar restrita a protocolos de pesquisa e poderá ser realizada em casos de obesidade grave (IMC igual ou superior a 40 kg/m²) acompanhada de complicações clínicas com risco à vida.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/mais-pessoas-poderao-fazer-cirurgia-bariatrica-no-brasil-veja-as-novas-regras-do-cfm