Saúde

Falta de médicos ameaça acesso à saúde nas Américas, alerta OPAS

Déficit acende alerta para o futuro da cobertura médica no continente

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Beto Lima
02/05/2025, 12:09 • Atualizado em 02/05/2025, 12:09
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Contratos entre médicos e empresas de saúde podem comprometer a qualidade do serviço no país | Cido Coelho/SBT News/Imagem gerada por IA

Contratos entre médicos e empresas de saúde podem comprometer a qualidade do serviço no país | Cido Coelho/SBT News/Imagem gerada por IA

Mais de um terço dos países das Américas enfrentam escassez crítica de médicos e profissionais de saúde, segundo alerta da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O déficit pode chegar a 2 milhões de trabalhadores até 2030, comprometendo seriamente o acesso universal à saúde na região.

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O novo Relatório da Força de Trabalho da Área de Saúde nas Américas expõe que 14 dos 39 países do continente não contam com médicos, enfermeiros ou parteiras em número suficiente para atender à população. Se nada for feito, sistemas públicos de saúde podem ser colocados em xeque, afetando principalmente comunidades mais vulneráveis.

De acordo com o documento, o continente precisará de até 2 milhões de profissionais a mais já nos próximos cinco anos para manter os planos de cobertura universal. A média atual é de 66,5 trabalhadores da saúde para cada 10 mil habitantes — acima do índice mínimo indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 44,5. No entanto, os números mascaram desigualdades entre países e dentro deles.

Nos Estados Unidos, por exemplo, há 131,5 enfermeiras para cada 10 mil pessoas. Já no Haiti, esse número despenca para apenas 3,8. No Brasil, o cenário é ambíguo: o país deverá atingir a marca de 635.706 médicos em 2025 — uma média de 2,98 profissionais por mil habitantes, ainda abaixo do recomendado pela OCDE (3,7).

O estudo Demografia Médica 2025, divulgado recentemente, também aponta uma transformação no perfil dos profissionais: pela primeira vez, as mulheres representarão a maioria da classe médica no Brasil, com 50,9% do total — número que deve crescer para 55,7% até 2035. Contudo, o avanço numérico não resolve outro problema crônico: a desigualdade na distribuição. Enquanto 48 grandes cidades, com mais de 500 mil habitantes, concentram 58% dos médicos, outras 4.895 cidades com menos de 50 mil habitantes contam com apenas 8% deles — mesmo abrigando o mesmo percentual da população nacional.

Para o diretor da OPAS, o médico brasileiro Jarbas Barbosa, a solução passa por investimento em formação, condições dignas de trabalho e políticas eficazes de retenção. “A força de trabalho é a espinha dorsal dos sistemas de saúde. Sem ela, não há acesso universal possível”, declarou. Com o tempo correndo contra, especialistas alertam: sem médicos suficientes, o futuro da saúde pública no continente pode entrar em colapso silencioso.

* Com supervisão

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