Política

Na Alemanha, Lula defende imigração e pede fim de "narrativas falsas” contra acordo UE-Mercosul

Presidente também voltou a criticar Trump e o Conselho de Segurança da ONU pela guerra no Irã e disse que Brasil é um dos menos afetados

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O presidente Lula e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou neste domingo (19) na abertura da Feira Hannover Messe, na Alemanha. Em pouco mais de 20 minutos, o chefe do Executivo brasileiro defendeu a imigração, elogiou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e voltou a criticar o papel dos países do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

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Lula lamentou que muitos países rejeitem a entrada de imigrantes que buscam recomeçar sua vida fora de nações afetadas pela guerra e pela fome. Segundo ele, “os coitados que procuram um mundo para sobreviver não são aceitos por quase nenhum país".

“O Brasil é um país criado por imigrantes, primeiro os portugueses em 1500, depois em 1650 escravizaram o continente africano e 5 milhões de negros trabalharam por 350 anos como escravos no Brasil. Em 1850 começaram a chegar os alemães, em 1875 os italianos, 10 anos depois os espanhóis, em 1908 os japoneses, e antes disso, 10 milhões de árabes. Como eu posso ser contra a imigração se essa gente toda ajudou a construir o Brasil de hoje, a cara do Brasil, a cultura do Brasil, a saúde do Brasil", declarou Lula.

A fala do presidente se dá em um momento de endurecimento da política migratória na Europa, com a aprovação neste ano de regras mais rígidas para a obtenção de asilo no continente. As novas medidas da União Europeia incluem, por exemplo, o envio de estrangeiros a países terceiros enquanto aguardam pelo processo. O tema ainda precisa ser aprovado nos parlamentos dos 27 países do bloco.

A UE também foi tema da fala inicial de Lula, que enalteceu a formalização do acordo comercial do bloco com o Mercosul, que entrará em vigor em maio. O presidente, contudo, pediu o fim de “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira, um dos argumentos usados por críticos do tratado como França e Polônia. Lula disse que criar barreiras adicionais é “contraproducente", referindo-se também ao biocombustível brasileiro.

No restante do discurso em Hannover, Lula repetiu suas críticas às organizações multilaterais, à guerra no Irã e à política internacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. São figurinhas carimbadas dos discursos do petista tanto no Brasil quanto na gira que ele tem feito pela Europa, que começou na última semana na Espanha e se estenderá ainda à Portugal.

O mandatário brasileiro afirmou que o mundo vive um "momento crítico na geopolítica global” e que o protecionismo ressurgiu como uma "resposta falaciosa”para problemas sociais e econômicos. Além do Conselho de Segurança da ONU, Lula também reclamou da "paralisia” da Organização Mundial do Comércio (OMC) e declarou que a reforma dos organismos internacionais passa pelos “interesses do Sul Global".

“Eu precisava ter vindo à Alemanha, não apenas para participar da feira, mas para tentar mostrar ao mundo que nao é possivel, em pleno século 21, quando nós ainda não resolvemos o problema da fome e do analfabesitnmo no mundo, estamos gastando 2,7 trilhões de dólares em guerras", disse o presidente.

Em referência a Trump, Lula disse que "o mundo não pode se curvar ao comportamento de um presidente que acha que pode taxar produtos, punir países e fazer guerra por e-mail ou tweets". Segundo ele, a guerra no Irã travada pelos EUA é uma "maluquice” que tem afetado os mais vulneráveis.

Lula afirmou, contudo, que o Brasil é um dos países menos prejudicados pelo conflito no Oriente Médio devido ao papel de produtor de petróleo e pelas medidas do governo federal para combater a alta dos preços dos combustíveis.

“O convite para a Feira de Hanôver consolida a posição do Brasil como parceiro confiável em um mundo de instabilidade e incerteza", declarou.

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