Política

Após a interdição de FHC, veja os destinos imprevisíveis dos ex-presidentes do Brasil

Rotinas incluem leituras de poesias, vídeos de ginástica, atuação como advogado, gestão em banco internacional e até cumprimento de prisão domiciliar

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Lula e FHC se encontram em São Paulo - Arquivo | Foto: Ricardo Stuckert
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A autorização de interdição do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que está com 94 anos e com o estado de saúde agravado devido a um grau avançado da doença de Alzheimer, lembrou ao país o seu legado e, mais que isso, chamou a atenção para os destinos que a vida guardou para os ex-ocupantes do Palácio do Planalto.

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Desde o fim da ditadura, o Brasil teve oito presidentes, incluindo Lula (PT), que cumpre o terceiro mandato. Apenas Itamar Franco morreu, em 2011. A redemocratização começou com o susto provocado pela doença de Tancredo Neves e por sua morte em 21 de abril de 1985. Na semana em que esse fato completa 41 anos, os seis ex-presidentes vivem em circunstâncias que ressaltam as diferenças de suas escolhas políticas e particulares.

As rotinas incluem leituras de poesias e vídeos de ginástica, como é comum entre pessoas idosas. Mas têm também gestão de um banco internacional, atuação como advogado e duas situações inusitadas de cumprimento de prisão domiciliar. As trajetórias de José Sarney, primeiro presidente civil depois do golpe de 1964, e de seus sucessores mostram o quanto foram díspares e, em alguns casos, surpreendentes os caminhos desses brasileiros depois da passagem pela Presidência da República.

Sarney

"Não têm tempo de serem criadas lideranças novas", diz o ex-presidente José Sarney | SBT News
"Não têm tempo de serem criadas lideranças novas", diz o ex-presidente José Sarney | SBT News

José Sarney aposentou-se dos cargos políticos em 2015. Tornou-se conselheiro político e eventualmente participa de solenidades nas cúpulas dos três poderes. Na vida pessoal, adotou uma rotina de exercícios físicos e até posta nas redes sociais suas sessões de ginástica, acompanhado da esposa, Dona Marly.

“Cuidar da saúde é importante, mas ter com quem dividir esse caminho faz toda diferença”, postou o emedebista nesta semana. Sarney, de vez em quando, também se dedica a ler poesias em vídeos para as redes. Na parte mais sofrida, ele acompanha a luta contra um câncer de sua filha, Roseana.

Collor

Ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRD) | Divulgação/Agência Senado
Ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRD) | Divulgação/Agência Senado

Desde 25 de abril de 2025, Fernando Collor de Mello está preso em casa. Primeiro presidente eleito nas urnas depois da ditadura, sofreu impeachment e exerceu mandatos de senador. Em 2023, Collor foi condenado a 8 anos e 10 meses em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro investigados pela Operação Lava Jato. A prisão domiciliar humanitária foi solicitada por seus advogados sob alegação de idade avançada, ele tem 75 anos, e problemas de saúde, como Parkinson e transtorno bipolar.

FHC

Fernando Henrique Cardoso | Divulgação
Fernando Henrique Cardoso | Divulgação

FHC vive seu ocaso sob os cuidados da família, em São Paulo. Depois de deixar o Planalto, ele se dedicou à vida intelectual e às atividades da Fundação FHC, instituição voltada para a preservação de documentos políticos e para a promoção da democracia.

Dilma

Dilma Rousseff | Reprodução
Dilma Rousseff | Reprodução

Dez anos depois de sofrer impeachment, a ex-presidente Dilma Rousseff mora em Xangai, na China, onde preside o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics (grupo inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que tem como função financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes. O cargo de Dilma na instituição multilateral foi obtido por indicação de Lula.

Temer

Ex-presidente Michel Temer | Reprodução
Ex-presidente Michel Temer | Reprodução

Depois que deixou o Planalto, Michel Temer passou a fazer política nos bastidores, conduzindo acordos no MDB e atuando como advogado, atividade que ele retomou após sair do cargo. Nas últimas semanas, ele apareceu no noticiário pelo fato de seu escritório ter sido o destinatário de R$ 7,5 milhões do banco Master, referentes a honorários por serviços prestados à instituição financeira liquidada pelo Banco Central.

Bolsonaro

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Destino semelhante ao de Collor teve o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra preso em sua casa, em Brasília, em cumprimento à pena de mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele padece de graves problemas de saúde, com frequentes atendimentos médicos, internações hospitalares e cirurgias na região abdominal.

(Luciana Lima e Eumano Silva)

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