Política

Exclusivo: 'O resultado do bloqueio do nervo frênico foi insatisfatório', diz médico de Bolsonaro

Claudio Birolini foi entrevistado ao vivo no Poder Expresso pelos jornalistas Eduardo Gayer e Victoria Abel

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Eduardo Gayer, Victoria Abel
31/12/2025, 20:26 • Atualizado em 31/12/2025, 20:51
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O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado em Brasília para tratar crises persistentes de soluço, associadas a um quadro de esofagite erosiva e gastrite. Nesta quarta-feira (31), sua defesa protocolou um novo pedido de prisão domiciliar.

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Em entrevista exclusiva ao Poder Expresso, do SBT News, o cirurgião Claudio Birolini, responsável pelo acompanhamento, afirmou que os procedimentos realizados até agora não eliminaram totalmente o problema e que a estratégia, a partir de agora, será insistir no tratamento medicamentoso e em mudanças de hábito.

Segundo o médico, Bolsonaro passou por endoscopia que confirmou refluxo persistente e por bloqueios anestésicos do nervo frênico – tentativas de controlar o soluço –, mas a resposta ficou "aquém do esperado".

O ex-presidente também iniciou uso de antidepressivo a pedido próprio, em meio a um quadro de abatimento emocional que, de acordo com a equipe, pode funcionar como gatilho para as crises.

Bolsonaro está internado no Hospital DF Star desde o dia 24, após ser transferido da Polícia Federal. Ele passou por cirurgia de hérnia inguinal bilateral e por exames que confirmaram esofagite erosiva. A expectativa da equipe é de alta na manhã de quinta-feira (1º).

Entrevista com Claudio Birolini, médico de Jair Bolsonaro

Eduardo Gayer: Doutor, o que mostrou a endoscopia e qual a relação com os soluços?

Após uma internação anterior, em que ele ficou sem medicação protetora do estômago, identificamos uma esofagite erosiva grau 3. Houve melhora com tratamento, mas não completa. Repetimos o exame agora e ainda há esofagite, menos intensa, além de gastrite. Isso indica refluxo persistente, que pode contribuir para os soluços. A partir de agora, ele seguirá medicação de manutenção e, principalmente, medidas dietéticas e posturais.

Eduardo Gayer: O soluço tem causas múltiplas. A questão emocional entra nesse quadro?

Sim. Mas é importante esclarecer: ele não pediu para suspender antidepressivos; pediu para iniciar. Associamos um antidepressivo ao tratamento porque ele está se sentindo deprimido. Ansiedade, estresse e estado emocional são gatilhos conhecidos para crises de soluço.

Victoria Abel: Esses problemas são consequência das cirurgias após a facada?

Ele já tem histórico antigo de soluços, desde antes. O que ocorreu recentemente foi uma potencialização: obstrução intestinal, íleo paralítico no pós-operatório, retardo do esvaziamento gástrico, distensão do estômago e esofagite. Fomos eliminando esses fatores, mas as crises persistem.

Victoria Abel: Quais recomendações médicas foram registradas no relatório de alta?

Dieta fracionada, cuidados para evitar quedas, fisioterapia, exercícios, banho de sol, uso de CPAP, monitorização da pressão arterial e administração correta dos medicamentos. Também há orientações sobre alimentação lenta, mastigação adequada e evitar deitar após as refeições. São cuidados típicos de pós-operatório, mas exigem atenção constante.

Eduardo Gayer: Como será o acompanhamento quando ele retornar à Superintendência da PF?

O relatório com recomendações será entregue. O cardiologista Brasil Caiado, que mora em Brasília, continuará fazendo visitas. O cuidado diário, no entanto, depende das condições oferecidas no local. Nossa parte é orientar.

Victoria Abel: Há previsão de novos bloqueios do nervo frênico?

Sinceramente, o resultado foi insatisfatório. Sabíamos que seria temporário e serviu como teste para avaliar benefício futuro. Minha impressão é que ele não se beneficiaria de um procedimento definitivo, que pode trazer riscos respiratórios. Vamos insistir em medicamentos, controle da ansiedade e outras abordagens, como fonoaudiologia e exercícios respiratórios.

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