Vice-líder do PL diz que financiamento de Vorcaro a filme de Bolsonaro não prejudica Flávio
Ao SBT News, Alberto Fraga diz que pedido foi por financiamento privado e nega irregularidades em aporte do dono do Banco Master a filme sobre Bolsonaro



Raquel Landim
Victoria Abel
Vicklin Moraes
O vice-líder do PL na Câmara, Alberto Fraga(DF), afirmou nesta quarta-feira (13), em entrevista ao SBT News, que as revelações sobre o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme ligado à família Bolsonaro não devem prejudicar, neste momento, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Fraga comentou as informações divulgadas pelo Intercept Brasil de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria negociado um aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para a produção do filme Dark Horse, com estreia prevista para setembro. Segundo documentos obtidos pelo site, ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.
Segundo fontes ouvidas pelo analista do SBT News, Eduardo Gayer, uma ala do Partido Liberal (PL) defende trocar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) na candidatura presidencial.
“Então ele pediu e esse mesmo Daniel Vorcaro também já financiou filmes de ex-presidentes como Michel Temer, se eu não me engano, de Fernando Henrique. Então ele foi lá buscar esse recurso. Agora vamos esperar após a Polícia Federal entrar no caso, qual vai ser o desvendamento. Eu acho que hoje não prejudica a campanha do Flávio”, afirmou.
O deputado reforçou que o episódio deve ser tratado como busca por financiamento, e não como irregularidade. “O Flávio tem que vir a público e explicar que ele tava buscando um financiamento. Quero insistir na palavra financiamento, não é pagamento de propina. Quero também frisar que as quatro reuniões a portas fechadas do Vorcaro com o Lula representam muito mais risco de fraudes do que esse financiamento público, né, com dinheiro privado que foi o que aconteceu”, disse.
Fraga também afirmou que parlamentares da base foram surpreendidos pelo caso. “Não, não sabíamos, como não sabíamos também desse pedido do financiamento. Pelo menos eu conversei aqui hoje com uns 8 a 10 deputados e todos nós fomos surpreendidos”, declarou.
Sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, o deputado minimizou a proximidade.
“Eu digo que não era uma amizade. Eles se conheceram, parece que no final do governo 2024, né? Mas não era amizade. Amizade é quando você vai na casa da pessoa, quando tem jantares. Então ele conheceu e, vendo a postura de um banqueiro com sucesso na época, sem nenhum indício de problema, se sentiu na obrigação de pedir”, afirmou.
Fraga avaliou ainda como “prematuro” qualquer discussão sobre eventual substituição de Flávio Bolsonaro como candidato do partido. “A candidatura do Flávio se consolidou e nós temos que enfrentar esse problema. Ainda tem tempo para discutir se vai trocar ou não”, disse. Ele acrescentou que mudanças neste momento seriam arriscadas e que a decisão cabe à direção nacional da sigla.
Por fim, o parlamentar criticou medidas recentes do governo federal, como novos subsídios para a gasolina e o fim da “taxa das blusinhas”, e voltou a relacionar o caso ao cenário político. “Ele [Lula] tá despencando nas pesquisas e apresenta medidas populistas. Eu acho que o povo brasileiro tá vacinado, o PT nunca mais”, concluiu.
Outro lado
Em vídeo, Flávio Bolsonaro admitiu que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para bancar o filme sobre o pai, mas negou irregularidades. Segundo o senador, não houve oferta de vantagens em troca nem encontros fora da agenda.
“O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou.
Flávio também defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. “Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master”, declarou.









