AtlasIntel: Pedido de vista suspende julgamento no TSE
Análise da liminar que barrou divulgação de pesquisa sobre áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro será retomada em outra data



Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília | Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu nesta terça-feira (9) o julgamento que analisa a decisão liminar do presidente da Corte, ministro Nunes Marques, de barrar a divulgação de pesquisa do AtlasIntel realizada em maio.
A interrupção ocorreu após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Com isso, o assunto deverá ser analisado pela Corte em outra data.
O levantamento analisou o impacto, entre os eleitores, do áudio enviado pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Até a conclusão do julgamento, permanece em vigor a liminar que suspendeu a divulgação da pesquisa. A confirmação ou a revogação da medida depende da formação de maioria no plenário, o que exige ao menos quatro votos entre os sete ministros da Corte.
Na sessão desta terça (9), Nunes Marques foi o único a votar. O relator reafirmou o entendimento adotado na decisão provisória e disse haver indícios de que a estrutura do questionário pode ter influenciado as respostas dos entrevistados.
Entenda o caso
A pesquisa eleitoral realizada pelo AtlasIntel exibiu aos entrevistados o áudio em que o Flávio pede recursos a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", que aborda a campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 e tem lançamento previsto para setembro.
O levantamento, registrado no TSE sob o número BR-06939/2026, trata da disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026.
A coleta de dados começou em 13 de maio, mesmo dia em que o site Intercept Brasil revelou que Flávio negociou repasses milionários com Vorcaro entre 2024 e 2025 para viabilizar a produção do longa.
Na pesquisa, Flávio apresentou queda nas intenções de voto em relação aos levantamentos anteriores. O AtlasIntel entrevistou 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro é de 1 ponto percentual.
O PL acionou o TSE contra a divulgação do levantamento. Na representação, o partido argumentou que o formato do questionário induzia respostas desfavoráveis ao pré-candidato.
Segundo a legenda, a sequência de perguntas combinava temas relacionados à intenção de voto com informações sobre a relação entre Flávio e Vorcaro, produzindo efeitos de "priming", "framing" e "ancoragem" que configurariam propaganda negativa contra o senador.
Os conceitos citados têm origem na psicologia comportamental. O priming ocorre quando um estímulo ou informação prévia ativa crenças e percepções capazes de influenciar interpretações posteriores.
O framing, ou enquadramento, refere-se ao efeito pelo qual a forma ou a ordem de apresentação de uma informação altera sua percepção, mesmo sem modificar seu conteúdo.
Já a ancoragem é a tendência de utilizar a primeira informação recebida como referência para julgamentos e estimativas posteriores.
Ao conceder uma decisão liminar (provisória) na segunda-feira (8), Nunes Marques entendeu que a ordem e o conteúdo das perguntas poderiam ter interferido na percepção dos entrevistados sobre o pré-candidato.
Na decisão, o ministro afirmou que o formulário apresenta "sequência de perguntas que, ao menos em juízo de cognição sumária, aparentam extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas subsequentes relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem de pré-candidato mencionado na representação".
Em sua defesa, o AtlasIntel sustentou que o áudio da conversa foi apresentado apenas ao final do questionário, depois que os entrevistados já haviam respondido às perguntas sobre intenção de voto.















