Política

Trump precisa respeitar a soberania e não tem direito de ameaçar um país, diz Lula

Em entrevista ao jornal El País, o presidente disse não temer uma ação militar dos EUA ou a interferência da Casa Branca nas eleições de outubro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Ricardo Stcukert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem “o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”, em referência às falas do republicano durante a guerra com o Irã. A declaração foi dada em entrevista ao jornal espanhol El País publicada nesta quinta-feira (16).

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“Ele [Trump] não foi eleito para isso, e sua Constituição não permite. É essencial que aqueles que detêm o poder assumam maior responsabilidade pela manutenção da paz”, afirmou Lula.

O petista afirmou que chefes de Estado precisam respeitar a soberania de outras nações e que o líder norte-americano está “jogando um jogo muito errado” ao achar que pode usar o poderio militar do seu país para “ditar as regras do jogo”.

Lula também criticou os gastos trilionários com guerras. Segundo ele, o mundo enfrenta o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, mas a tragédia de um eventual terceiro combate em escala global seria “dez vezes mais devastadora”. Para o presidente, esse risco existe enquanto os líderes das grandes potências continuarem acreditando que podem “acordar de manhã e atirar em qualquer pessoa”.

O chefe do Executivo federal voltou a pedir a reformulação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), hoje controlado por EUA, China, Rússia, Reino Unido e França. Lula disse que o grupo, criado para manter a paz, é hoje quem trava e apoia essas guerras. E que Trump tem razão ao dizer que as instituições internacionais não estão cumprindo seu papel.

“Os cinco países do Conselho de Segurança, que deveriam dar o exemplo, não o fazem. Nem a invasão do Iraque, nem a invasão da Líbia pela França e pelo Reino Unido, nem a invasão da Ucrânia por Putin, nem o massacre de Israel em Gaza foram levados ao Conselho de Segurança. Os pacificadores se tornaram senhores da guerra. [...] O poder de veto deve ser abolido. A geopolítica de 1945 não é válida para 2026”, declarou.

Sobre a possibilidade de uma ação militar dos EUA contra o Brasil, Lula disse estar tranquilo. O petista afirmou que a democracia funciona no Brasil e é um “exemplo” para Washington. Ele também rechaçou o risco de interferência da Casa Branca nas eleições gerais de outubro: “Não me preocupa nem um pouco.”

Lula ainda minimizou a chance de uma invasão norte-americano a outros países da América Latina nos moldes da ação militar que levou à captura e prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. “Sinceramente, acho que não. Seria um absurdo”, explicou. Ele completou que o envolvimento dos EUA com a Venezuela é mais amplo e se estende desde a eleição de Hugo Chávez no final do século passado.

“É inaceitável que os Estados Unidos acreditem que podem governar a Venezuela. Isso não é normal; não tem lugar em uma democracia”, afirmou.

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