Sangue é identificado em centro de repressão da ditadura
Pesquisadores da Unifesp localizaram resíduos compatíveis com material hemático no antigo DOI-Codi, em São Paulo
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Artur Maldaner
Antigo centro de repressão da ditadura DOI-Codi | (Paulo Pinto/Agência Brasil)
Uma equipe de pesquisadores coordenada por docentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou resíduos compatíveis com sangue, preservados em áreas do antigo DOI-Codi, conhecido como um dos principais centros de repressão da ditadura militar em São Paulo.
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Foram utilizadas técnicas de investigação arqueológica e forenses para identificar os indícios, encontrados em espaços como uma antiga enfermaria e salas de interrogatório. No entanto, as análise não permitem associar o material a pessoas ou períodos específicos.
A presença de material hemático foi confirmada por meio do uso de luminol em conjunto com outros testes laboratoriais. O trabalho também identificou uma espécie de calendário gravado na parede de um banheiro, possivelmente feito por uma pessoa encarcerada, que havia sido sobreposto por camadas de tinta e reparos.
Análise histórica
Já que as análises forenses não se encaixam, por si só, no contexto histórico da ditadura, foram empregadas outras estratégias de investigação. As frentes de pesquisa incluem pesquisa documental, coleta de testemunhos, arqueologia da arquitetura, arqueologia forense e ações de arqueologia pública.
“Identificar vestígios compatíveis com sangue depois de tantas décadas é um resultado importante, mas é igualmente importante distinguir aquilo que cada linha de evidência permite afirmar. Os métodos forenses não permitem determinar a data exata da deposição, mas o contexto arqueológico permite situar os vestígios no período de funcionamento do DOI-Codi”, explica Cláudia Plens, pesquisadora à frente da análise de arqueologia forense.
O estudo faz parte de um projeto de análise do DOI-Codi, integrado por pesquisadores da Unifesp, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O que foi o complexo?
O Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) foi um órgão de inteligência subordinado ao Exército na época da ditadura militar.
Em São Paulo, o centro ficava localizado na Rua Tutoia, no bairro do Paraíso, e recebeu mais de sete mil pessoas durante as operações. São pelo menos 52 mortes reconhecidas que ocorreram no local.
O DOI-Codi também ficou conhecido como o local da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, e do operário Manoel Fiel Filho, em 1976.
Sangue é identificado em centro de repressão da ditaduraPesquisadores da Unifesp localizaram resíduos compatíveis com material hemático no antigo DOI-Codi, em São PauloPolítica2026-08-04T09:00:00.000ZUma equipe de pesquisadores coordenada por docentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou resíduos compatíveis com sangue, preservados em áreas do antigo DOI-Codi, conhecido como um dos principais centros de repressão da ditadura militar em São Paulo. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Foram utilizadas técnicas de investigação arqueológica e forenses para identificar os indícios, encontrados em espaços como uma antiga enfermaria e salas de interrogatório. No entanto, as análise não permitem associar o material a pessoas ou períodos específicos. A presença de material hemático foi confirmada por meio do uso de luminol em conjunto com outros testes laboratoriais. O trabalho também identificou uma espécie de calendário gravado na parede de um banheiro, possivelmente feito por uma pessoa encarcerada, que havia sido sobreposto por camadas de tinta e reparos. Análise histórica Já que as análises forenses não se encaixam, por si só, no contexto histórico da ditadura, foram empregadas outras estratégias de investigação. As frentes de pesquisa incluem pesquisa documental, coleta de testemunhos, arqueologia da arquitetura, arqueologia forense e ações de arqueologia pública. “Identificar vestígios compatíveis com sangue depois de tantas décadas é um resultado importante, mas é igualmente importante distinguir aquilo que cada linha de evidência permite afirmar. Os métodos forenses não permitem determinar a data exata da deposição, mas o contexto arqueológico permite situar os vestígios no período de funcionamento do DOI-Codi”, explica Cláudia Plens, pesquisadora à frente da análise de arqueologia forense. O estudo faz parte de um projeto de análise do DOI-Codi, integrado por pesquisadores da Unifesp, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O que foi o complexo? O Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) foi um órgão de inteligência subordinado ao Exército na época da ditadura militar. Em São Paulo, o centro ficava localizado na Rua Tutoia, no bairro do Paraíso, e recebeu mais de sete mil pessoas durante as operações. São pelo menos 52 mortes reconhecidas que ocorreram no local. O DOI-Codi também ficou conhecido como o local da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, e do operário Manoel Fiel Filho, em 1976. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/sangue-e-identificado-em-centro-de-repressao-da-ditadura