Salles: Apoiar Jair Bolsonaro não significa aceitar tudo
De olho no Senado, ex-ministro disputa preferência do eleitorado bolsonarista com outros candidatos, e defende que a direita não se confunda com o centrão


Pré-candidato ao Senado por São Paulo, o deputado federal, Ricardo Salles (Novo-SP), afirmou ao SBT News que se distanciou de integrantes da família Bolsonaro, entre eles o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, após o apoio deles à candidatura ao Senado do deputado estadual André do Prado (PL).
“A minha discordância com Eduardo (Bolsonaro) é justamente pela súbita mudança pelos filhos mais ideológicos, Carlos e Eduardo. [Eles eram] Sempre contra o centrão, e quem prevaleceu foi o candidato do Valdemar”, disse em entrevista ao programa Sala de Imprensa. Salles afirma que Prado é um candidato “valdemarista”, em alusão ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de quem também é crítico.
“Ser direita e ter em Jair Bolsonaro o grande líder de direita, e não há dúvidas de que é, não significa que você tenha que aceitar qualquer coisa sem ter opinião crítica”, disse o deputado que foi ministro de Meio Ambiente na gestão Bolsonaro. “Não sinto que o André do Prado é candidato da direita. Ele é candidato do Centrão, que está querendo usar a direita para se eleger”, disse.
Como a disputa é por duas vagas no Senado, Salles diz acreditar na escolha dele e do ex-secretário de segurança pública do estado, Guilherme Derrite (PP-SP), nestas eleições. Ambos não são do PL, mas têm alinhamento com a direita e eleitores da família Bolsonaro.
“Uma parte do PL, no fundo, é Lula, por conveniência, cargos, emendas, aliás é qualquer governo que estiver no plantão, o André do Prado se encaixa neste grupo”, disse.
“Você vê esse câncer do Brasil chamado Centrão envolvido em tudo o que é corrupção, aparelhagem estatal, roubo de emenda parlamentar, verba, cargo. Essa eleição de 2026 tem o papel de depurar a política”, reforçou.
Pesquisas de intenção de voto para o Senado em São Paulo têm mostrado que as ex-ministras do governo Lula, Marina Silva e Simone Tebet, estão mais bem posicionadas que os candidatos da direita.
Se as eleições fossem hoje, de acordo com levantamentos de voto, elas venceriam as duas cadeiras.
“São duas forasteiras que não conhecem nada do estado de São Paulo. Elas não se elegem a nada em seus estados”, disse.
Perguntado sobre a origem do governador do estado também não ser paulista, mas carioca, Salles saiu em defesa de Tarcísio Freitas (Republicanos-SP).
“O ideal era que o governador fosse paulista, isso não tenho dúvidas. Mas o Tarcísio tem assim uma margem de manobra no sentido de que ele não tinha carreira político em outro estado, não era carioca convicto, nem um brasiliense convicto. Era meio um apátrida brasileiro, estava livre para escolher um estado”, disse.
Salles é um dos fundadores do movimento Endireita Brasil. Em 2024, perdeu apoio do PL e não disputou a prefeitura de SP.













