Revelação de Flávio sobre novo encontro com Vorcaro contradiz explicações iniciais
Pré-candidato à Presidência tentava emplacar o discurso de que contatos ocorreram quando não havia suspeitas sobre banqueiro


Ranier Bragon
A revelação por Flávio Bolsonaro (PL) de que visitou Daniel Vorcaro após a prisão do banqueiro, no período em que ele já era monitorado por tornozeleira eletrônica, contradiz as explicações dadas inicialmente pelo pré-candidato à Presidência da República.
Nesta terça-feira (19) Flávio confirmou, em pronunciamento após se reunir com parlamentares do PL, a existência do encontro.
"Eu estive com ele mais uma vez após esse evento (prisão), quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e não podia sair da cidade de São Paulo. Fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, dizer que se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu teria ido atrás de outro investidor e o filme não correria riscos", disse.
Assim que veio à público suas relações com Vorcaro, porém, Flávio se defendeu, entre outros argumentos, afirmando que seus contatos se deram em 2024, em período em que não havia suspeitas sobre a atuação do banqueiro ou do Master.
Flávio, na ocasião, evitou inclusive responder diretamente aos questionamentos sobre a mensagem amistosa que enviou na véspera da prisão do banqueiro, em novembro, dizendo que estaria ao seu lado sempre.
Em linhas gerais, o ponto central da sua argumentação era a de que o dinheiro era privado e que seus contatos se deram em um âmbito de ignorância sobre as fraudes supostamente cometidas por Vorcaro e o Master.
"Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme", afirmou, em nota, logo após a revelação do caso.
A tese que o senador passou a divulgar após a revelação de suas relações com Vorcaro pelo site The Intercept Brasil era a de que ele sempre negou relação com o banqueiro devido a uma cláusula de confidencialidade no contrato.
Flávio diz que o dinheiro pedido a Vorcaro foi usado exclusivamente na produção da cinebiografia autorizada de Jair Bolsonaro, "Dark Horse".









