Política

Receita diz “não tolerar desvios” após ação da PF sobre vazamento de dados de ministros do STF

Órgão informou que já repassou ao Supremo indícios iniciais apontados em auditoria sobre acessos a informações

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Receita Federal | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Receita Federal disse nesta terça-feira (17) que “não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”, após a Polícia Federal (PF) deflagrar operação para apurar possíveis vazamentos de dados envolvendo autoridades, entre elas ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares.

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Em nota, a Receita informou que a ação foi realizada “com base em informações prestadas” pelo próprio órgão. Também afirmou que já existe um “procedimento investigatório” sobre o caso em parceria com a PF, “cujos resultados poderão ser divulgados oportunamente”.

O órgão detalhou ainda que, em 12 de janeiro deste ano, o STF solicitou auditoria nos sistemas da Receita para identificar eventuais desvios no acesso a dados de ministros, parentes e outros nos últimos três anos.

A inspeção passou a integrar um procedimento que já havia sido instaurado em 11 de janeiro pela Corregedoria da Receita Federal, a partir de notícias divulgadas pela imprensa.

“A auditoria, que envolve dezenas de sistemas e contribuintes, está em andamento, sendo que desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF [ministro Alexandre de Moraes]”, disse em nota.

O órgão afirmou ainda que “os sistemas da Receita Federal são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal”.

“Desde 2023, foram ampliados os controles de acessos a dados, com forte restrição aos perfis de acesso e ampliação de alertas. Foram concluídos 7 processos disciplinares no período, com 3 demissões e sanções nos demais. O mesmo rigor orienta e orientará todo o processo”, disse.

Operação da PF

Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. As identidades dos alvos não foram divulgadas.

Também foram determinadas medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento do exercício de função pública, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nesta semana, Moraes determinou que a Receita Federal realizasse uma varredura para identificar eventuais acessos imotivados a dados dele próprio, dos demais ministros do STF e de familiares até o terceiro grau, um universo de quase 150 pessoas.

A medida foi tomada no âmbito do inquérito das fake news, aberto em 2019 pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, com base em interpretação do regimento interno do tribunal e sem provocação da PGR.

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