'Quem tentou esconder, agora não pode posar de herói': veja frases de Flávio Bolsonaro antes da revelação de sua relação com Vorcaro
Senador negou relação com banqueiro e vinculou PT e Lula à fraude do Master em vídeos, entrevistas e atos públicos


Ranier Bragon
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, coleciona declarações negando relações com o banqueiro Daniel Vorcaro e com o caso Master antes de vir à tona a revelação de suas relações com o banqueiro.
Mais do que isso, Flávio se empenhou em apontar o PT e Lula como os verdadeiros implicados no que classificou de "o maior escândalo do sistema financeiro que nós já vimos recentemente no Brasil".
No dia 9, por exemplo, o senador participou do lançamento da candidatura do irmão Carlos ao Senado, em Santa Catarina, vestindo uma camisa com a inscrição "O pix é de Bolsonaro e o Master é de Lula".
"Não foi o Bolsonaro que se reuniu escondidinho com o Vorcaro e o presidente do Banco Central, foi o Lula", disse Flávio na ocasião, em entrevista.
Nesse mesmo dia, criticou duramente contratos dos ex-ministros de Lula Ricardo Lewandowski e Guido Mantega com Vorcaro.
Em março, Flávio disse ao jornal Folha de S.Paulo que nunca teve contato com o dono do Banco Master em resposta à revelação de que seu telefone constava na agenda do telefone celular do banqueiro. "O número do meu telefone não é propriamente um segredo."
As redes sociais de Flávio também estão repletas de vídeos tentando vincular o Master ao PT e Lula.
"O povo brasileiro merece saber toda a verdade. Como esse banco cresceu? Quem estava por trás? Quem se beneficiou?", perguntou Flávio em vídeo postado na semana passada, seis dias antes de vir à tona a revelação pelo site Intercept Brasil de que ele pediu R$ 134 milhões a Vorcaro.
Também na semana passada, novo vídeo, dessa vez listando casos de relações de petistas com o banqueiro.
"Será que o PT está contra a CPI porque envolve políticos da Bahia, que eles controlam há mais de 20 anos? Ou será porque a família do Jaques Wagner, líder do PT, recebeu R$ 11 milhões em uma empresa ligada ao caso? Ou porque o Guido Mantega, que já foi ministro da Fazenda do Lula, recebia R$ 1 milhão por mês do banco só para fazer lobby dentro do governo? Ou porque o Lewandowski, ex-ministro da Justiça, recebeu 5 milhões?", diz Flávio na peça.
"Agora, segura essa", prossegue: "Ou será que é porque o próprio Lula teve uma ótima reunião fora da agenda oficial com o dono do Banco Master?"
Flávio encerra a peça enfatizando: "Quem tentou esconder, agora não pode posar de herói. O Brasil tá vendo".
A última negativa pública de Flávio ocorreu nesta própria quarta (13), dia da publicação da reportagem do Intercept. Pela manhã, ao ser questionado por um repórter do site, se negou a responder a pergunta e disse que a informação era "mentira".
Após áudio mostrar a sua relação com Vorcaro, Flávio se defendeu dizendo que apenas fez o papel de um filho que estava procurando recursos para o filme biográfico do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Afirmou ainda que se relacionou com o banqueiro em um período em que não havia suspeita sobre ele, apesar de a mensagem em que fala que estaria ao seu lado "sempre" ser enviada a Vorcaro em novembro do ano passado, na véspera de sua prisão. Na época já eram públicas as suspeitas em relação ao Master, especialmente no mundo político.
Em entrevista à GloboNews nesta quinta (14), Flávio disse que não revelou antes sua relação com Vorcaro porque o contrato de financiamento do filme tinha cláusula de confidencialidade. Ele foi questionado sobre por que mentiu aos eleitores em nome de um suposto compromisso com Vorcaro, disse que estaria sujeito, entre outras coisas, a multa.
O SBT News mandou à assessoria do senador na tarde desta quinta (14) várias perguntas e aguarda uma manifestação.
Entre os questionamentos, por que ele sempre negou a relação, por que nunca fez distinção sobre a suposta origem do dinheiro (se era pública ou privada) ao atacar petistas e qual o valor total recebido do banqueiro, além detalhes do suposto contrato.








